Ao revelar que o índice dos que temem a volta de alguém da família Bolsonaro ao governo supera o medo da permanência de Lula, a pesquisa CNT/MDA indica o porquê da decisão da campanha do candidato do PL frisar seu prenome — Flávio — no lugar do sobrenome.
O resultado desfavorável ao clã — 39,4% rejeitam sua volta ao Planalto; 35,8% a continuidade do petista — está dentro da margem de erro da pesquisa, mas ilustra a dificuldade de se encontrar um perfil predominante de Flávio que, agora protagonista, depara-se com a dificuldade de ser Bolsonaro.
O senador fluminense não é candidato como consequência de sua carreira política, mas por ser filho do ex-presidente, que permanece como "dono" do sobrenome: Jair é o Bolsonaro, ele é responsável pela carreira do filho e por sua escolha como presidenciável. Se, em um improvável rompante, Jair mudar de opinião, Flávio será expulso do jogo.
Ao ganhar a candidatura, o senador procurou emplacar uma imagem de moderação, a história de ser o Bolsonaro que toma vacina; partiu do princípio que não teria rivais à sua direita e que precisaria rumar ao centro.
No início, deu certo: ainda que na margem de erro, ele chegou a ultrapassar Lula. Acuadopelo caso Master, pelo pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, precisou tocar reunir, e fez rufar os tambores de guerra de sua família.
As pesquisas mostram que, com a conclamação ao bolsonarismo-raiz, ele conseguiu estancar sua queda e, principalmente, evitou o crescimento de qualquer adversário no campo da direita. Por mais que radicalizem o discurso, os demais candidatos não conseguem sequer chegar perto dos dois dígitos nas intenções de voto.
E, aí, surge o impasse: a menos de dois meses para o primeiro turno, Flávio Boslonaro, como gostava de frisar o SBT antigamente, é o líder absoluto do segundo lugar, com grande chance de impedir a vitória de Lula na primeira rodada. Mas é travado por sua rejeição: 54,5% não voltariam nele no segundo turno, contra 46,2% que não aceitariam apertar o 13. O vento que faz seu barco correr — o bolsonarismo — é o mesmo que limita sua velocidade. Segundo a pesquisa, seria, hoje, derrotado por Lula no segundo turno (teria 39% dos votos contra 48% do adversário).
Para ser competitivo, Flávio precisa ser Bolsonaro, mas, para ganhar, teria que cometer um patricídio simbólico, que talvez não seria perdoado por seus potenciais eleitores. Sua necessidade de se livrar do peso paterno iria além das relacionadas ao crescimento autônomo de cada um de nós. Não se trata apenas de superar expectativas e imposições relacionadas à figura do pai, o problema é também eleitoral. Ele precisa provar ao eleitor (quiçá a si mesmo) ser capaz de superar o pai; isso, sem cometer uma traição.
Entre ser Flávio ou Bolsonaro, o senador corre o risco da derrota. Enquanto isso, seus adversários deitam e rolam com a marca que destaca o "V" de seu prenome: leem Vorcaro no lugar de vitória.
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