Correio da Manhã
Opinião

Educadora exemplar nos deixa

Educadora exemplar nos deixa

O mundo cultural do Rio de Janeiro perdeu na semana passada uma referência na Educação e nas atividades culturais de relevo nas últimas décadas, a professora Maria Amélia Amaral Palladino, com mais de 30 anos de atividade.

A postura discreta com que percorreu a movimentada vida não impediu que sua partida repercutisse nas entidades mais representativas de nossa cultura.

Maria Amélia foi a primeira mulher a dirigir o emblemático Colégio Pedro II, onde deixou a marca da educadora e gestora dedicada e competente. Ocupou uma cadeira na Academia Carioca de Letras, assim como integrou o Pen Club do Brasil e a Academia Luso-brasileira de Letras, que chegou a presidir. Mineira de São João del Rei, recebeu o título de Cidadã Honorária da cidade do Rio de Janeiro, onde se formou em Letras na PUC. Foi palestrante, escritora, promotora de eventos literários com idealismo e generosidade.

Reitor Paulo Alonso, seu colega na Academia Carioca de Letras, consternado, declarou que "sua partida deixa saudades". Sempre sorridente e alegre, generosa e delicada, Maria Amélia foi uma pessoa admirável, além de intelectual de valor.

Marcou ainda o Ginástico Português ao apoiar iniciativas para os jovens, em auxílio à gestão do marido, Jácomo Palladino, sócio emérito número 1 do clube.

A repercussão da partida de personalidade que marcou seu tempo, sem perder a simplicidade e a discrição, mostra que a sociedade carioca guarda valores que, com trabalho e legado, confirmam que não será difícil restaurar os princípios que fizeram a presença da cidade na Educação e na Cultura do Brasil. O Colégio Pedro II decretou luto de três dias e se fez presente com professores, alunos e ex alunos na cerimônia fúnebre .

O Rio abriga as importantes academias de Letras, de Medicina, o Instituto Histórico e Geográfico, uma formidável rede de museus, escolas de referência, como o Instituto Militar de Engenharia, a Fundação Oswaldo Cruz, a Associação Brasileira de Imprensa, o fantástico Real Gabinete Português de Leitura e a Biblioteca Nacional, a mais importante da América Latina, entre outras entidades de importância e história.

Maria Amélia deixa este exemplo e leva o reconhecimento por tudo que fez sem ambições ou vaidades. Vocação e dedicação foram suas marcas.