O mercado editorial, ligado à memória histórica contemporânea, vive um bom momento com livros que aprofundam o conhecimento de políticos que foram relevantes ao longo da história política do século passado até agora.
Recentemente, em seu livro-depoimento, Moreira Franco, que foi prefeito de Niterói, deputado federal, governador do Rio de Janeiro e ministro de Estado em mais de uma pasta, narra a caminhada pela redemocratização nos anos70 e 80, saindo de uma militância de esquerda para a escola de mestres da sabedoria política no Brasil, como Amaral Peixoto e Tancredo Neves.
A caminho das livrarias tem a biografia de Leonel Brizola, da jornalista Karla Monteiro, que escreveu excelente biografia de Samuel Wainer, um dos mais importantes jornalistas do país por mais de meio século. Brizola, cunhado de João Goulart e tido como um dos responsáveis por sua queda, foi governador do Rio Grande do Sul, quando garantiu a posse do cunhado na crise da renúncia de Jânio, duas vezes do Rio de Janeiro, candidato a presidente da República e deputado federal mais votado do Brasil. Uma personalidade forte, polêmica, mas marcante e respeitado pelas mãos limpas. Nunca se meteu em falcatruas. Morreu amadurecido e sofrido.
E a sensação deve ficar pelo primeiro volume da biografia de Carlos Lacerda, de Mário Magalhães, que antes escreveu a de Carlos Marighella, o lendário líder comunista por mais de 30 anos.
Minas sempre foi rica em livros de memórias e biografias de seus homens públicos. Perdeu Murilo Badaró, não só o grande biógrafo de Israel, Alkmin, Bilac Pinto, mas um personagem relevante. Memorialistas como Newton Cardoso, Paulo Pinheiro Chagas e Oscar Corrêa e seus depoimentos à Assembleia mineira são peças imperdíveis.
Carlos Lacerda foi talvez o mais presente e brilhante ator da vida pública do Brasil nos 40 anos de forte presença na história nacional. Notável orador, legislador, escritor, jornalista, tradutor, causeur, foi até floricultor. Polêmico sempre, transitou da esquerda para a direita, teve seguidores incondicionais e opositores ferozes. Não era tido como confiável por amigos e aliados.
O positivo desses livros é que mostra a construção da democrática e o exercício da vida pública no Brasil de gente de qualidade em todas as posições.
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