Hoje, apresento uma Mini Bio do genial Paulo Barreto cujo pseudônimo tornou-se mais famoso que o próprio nome. João do Rio é João Paulo Emílio C. dos S. C. Barreto (1881-1921), jornalista, cronista, contista, romancista, tradutor e dramaturgo brasileiro. Pioneiro da reportagem moderna, ousou sair das redações e dar voz aos marginalizados nas ruas do Rio. Eleito (1910), assumiu como Membro mais jovem da Academia Brasileira de Letras, usando o tradicional "fardão dos imortais".
Nasceu no Rio de Janeiro, estudou no colégio São Bento, revelando seus dotes literários. Em 1896, ingressou no colégio Pedro II e, ainda com 17 anos (1899), iniciou como jornalista colaborador do jornal O Tribunal. Entre 1900 e 1903 escreveu para os jornais O Paiz, O Dia, O Tagarela e o Correio Mercantil, usando pseudônimos (11). Em 1903, ingressou na Gazeta de Notícias, publicando O Brasil Lê, enquete sobre as preferências literárias do leitor carioca. Assina o artigo, pela 1ª vez, como "João do Rio", quando a cidade assumiu o título de Cidade Maravilhosa.
Em 1904, lança o livro As Religiões do Rio, coletânea de suas reportagens investigativas sobre a diversidade religiosa da capital; 1905, torna-se conferencista; 1906, estreia sua 1ª peça teatral, a revista Chic-Chic, em parceria com o jornalista J. Brito; 1907, a peça Clotilde é apresentada no teatro Recreio Dramático, atual Carlos Gomes, e profere a conferência A Rua.
Em 1908, publica Momento Literário, retratando a verve literária do final do séc. XIX no Brasil e lança A Alma Encantadora das Ruas, com reportagens e crônicas escritas entre 1904 e 1907, para a Gazeta e a revista Kósmos; 1913, torna-se correspondente estrangeiro da Academia de Ciências de Lisboa, local de estreia da peça A Bela Madame Vargas. De 1913 a 1915 viaja de Portugal a Paris, Alemanha, Istambul, Rússia, Grécia, Jerusalém, Cairo e Argentina; de volta, dirige com João de Barros, o periódico Atlântida: mensário artístico literário e social para Portugal e Brazil; 1917, exalta as belezas da praia de Ipanema com a crônica Praia Maravilhosa, funda e torna-se diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Em 1918, cobre a conferência do armistício, em Versalhes, após a I Guerra Mundial; 1919, publica o livro de contos A mulher e os espelhos; 1920, funda o jornal A Pátria, no qual defende a colônia portuguesa; 1921, pouco antes de morrer, lança o compilado de contos Rosário da Ilusão. Falece de infarto.
Perambulando pelas ruas com olhar atento, tornou-se a voz crítica da desigualdade e da indiferença social, presentes em diversos tipos humanos. Capturou das ruas as excelentes crônicas-reportagens, retratando as noites cariocas, a vida nos cortiços, as reuniões da elite e o submundo. Falou de comportamento social, política, cultura, moda e futebol. Um retrato fiel da cidade.
Pobre e mestiço de origem, Paulo Barreto enfrentou discriminações e conquistou, por mérito, a ascensão social trabalhando como jornalista.
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