A política e a vida pública têm tradição de surpresas, imprevistos para o bem ou para o mal. Muitos episódios ao longo da história são difíceis de explicar, como os fenômenos políticos eleitorais e os erros fatais de grandes nomes.
O Rio de Janeiro está vivendo um momento atípico e interessante para ser comentado. Uma série lamentável de equívocos levou a política local a um quadro lamentável pela abundância de malfeitos, falta de nível, de dignidade e, sobretudo, de eficiência. A crise chegou a um ponto inimaginável, considerando que se trata da região da antiga capital do Império e da República com os melhores quadros da vida pública.
Da redemocratização, em 1945, até a virada do século, tivemos os melhores parlamentares e governantes de todos os tempos. No Executivo, Carlos Lacerda, Negrão de Lima, Faria Lima e Amaral Peixoto são alguns exemplos e, na bancada de senadores, gigantes como Gilberto Marinho, Caiado de Castro, Nelson Carneiro e Darcy Ribeiro. E nas bancadas federais, homens exemplares na dignidade no exercício da vida pública, notáveis como Adauto Lúcio Cardoso, Eurípedes Cardoso de Menezes, Lygia Lessa Bastos, Prado Kelly, Roberto Campos, Francisco Dornelles e Raimundo Padilha, entre outros.
A atual composição é lamentável, como se verifica no noticiário policial, nas ações da Polícia Federal. Uma sucessão de fatos deixou o cargo de governador vago e a posse, na linha sucessória prevista por lei, foi cair nas mãos de um cidadão acima de qualquer suspeita, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Estado. E sem buscar aplausos, já é uma referência de qualidade no exercício da função pública. Nem uma voz ousa contestar o que ele vem fazendo.
Em poucas semanas, o magistrado conquistou a admiração e o respeito das forças vivas do Rio e até do país inteiro. Discreto, austero, firme, vem agindo com segurança e sabedoria, atendendo ao mérito e não a indicações políticas no preenchimento de lugares vagos na alta administração. Homem sem ambições pessoais, Couto exerce uma missão a que não tem faltado o aval do Supremo Tribunal Federal.
Este comportamento exemplar, correto, faz do desembargador, sem favor algum, a personalidade mais respeitada e admirada do Estado, acima das polarizações, partidos e lideranças políticas. Um fenômeno em meio a um ambiente tão poluído.
Ricardo Couto conquistou naturalmente o que todo homem público ambiciona e poucos fazem por merecer: admiração, respeito e sucesso.
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