Os setores mais responsáveis da nacionalidade, com ênfase para empresários e empreendedores e classes médias sem militância ideológica, estão insatisfeitos com a polarização que torna o Brasil ingovernável, ganhe quem ganhar. E o motivo é a crise na economia que tem previsão de ocorrer no próximo mandato, pois, com a polarização, não haverá consenso e, sem consenso, medidas amargas, mas necessárias, não serão aprovadas.
A sociedade aspira um governo conciliador, identificado com o liberalismo econômico, que abra a economia para o capital, contenha gastos e melhore a qualificação da mão de obra, sem a qual o subemprego vai continuar a dominar e a estimular o ócio e a informalidade que os generosos programas sociais facilitam.
O indiscutível relacionamento e pedido de favores ao Banco Master do filho candidato pode ser a ponta do iceberg. O rapaz não é brilhante, não tem o carisma popular do pai, tem problemas a aflorar na campanha. Rachadinhas, imóveis de alto luxo e outros casos que dão margem a conclusões negativas. O presidente Lula não tem o que apresentar ao país, senão gastos generosos que fizeram aumentar os juros, o déficit público, o endividamento e a estagnação dos investimentos produtivos. Tem problemas em seu grupo ideológico, que hostiliza o setor mais consciente e realista das esquerdas. Não tem como crescer e pode até desistir da reeleição pela idade, que recomenda sair consagrado por três mandatos no lugar de sair pela derrota, que certamente vai ocultar o feito dos três mandatos.
Percebendo que a sociedade quer moderação, experiência, abertura econômica, para melhorar o salário médio, e o preparo da mão de obra, para aumentar a produtividade, que anda baixa para uma economia como a nossa, os candidatos Caiado e Zema ganham espaço e deveriam se unir e atrair o lúcido e experiente Aldo Rebelo, com pouco voto, mas credibilidade, coragem e bom senso.
Retirar-se da eleição, com uma família de um lado e um bando ideológico do outro, é uma aspiração legítima. Os dois ex-governadores pelo centro-direita e o atual vice, do centro-esquerda, poderiam oferecer um quadro mais confiável para a crise não aprofundar problemas na gestão do sucessor deste governo.
Este reposicionamento, viável pelo envolvimento de alguma maneira dos dois lados com o caso Master, parece inevitável.