Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificou sinais de sofrimento psíquico entre servidores da Polícia Federal (PF) em Curitiba (PR). Entre 146 participantes, 47,26% relataram dormir mal e 43,15% disseram sentir tensão e nervosismo constantes. Outros seis mencionaram vontade de tirar a própria vida.
O estudo integra a dissertação de mestrado de Jenira Priscila dos Anjos, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPR, sob orientação da professora Fernanda Moura D'Almeida Miranda, coordenadora do Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho.
Os dados foram coletados entre outubro e novembro de do último ano, por meio de questionário estruturado.
Dos 320 envelopes distribuídos a servidores elegíveis da Superintendência Regional da PF na capital paranaense, 146 dos questionários foram respondidos voluntariamente pelos agentes.
Os itens do questionário vieram de um estudo realizado em 2021 com auditores fiscais do trabalho da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia
O levantamento mostrou que 68,49% dos entrevistados realizavam tarefas internas aliadas a rotinas externas, enquanto 30,82% trabalhavam apenas em escritórios.
A maioria cumpria jornada de 40 horas semanais e não tinha rotina noturna fixa.
As mulheres relataram níveis mais altos de sofrimento psíquico e desmotivação. A autora relaciona a diferença à sobrecarga da dupla jornada e ao ambiente masculinizado das forças de segurança.
Servidores com mais tempo na instituição tendiam a avaliar o ambiente de trabalho de forma menos positiva.
A pesquisadora ressalta que os dados não comprovam que o tempo de carreira cause diretamente o adoecimento.
A PF possui equipes próprias de médicos, psicólogos e assistentes sociais e mantém o Programa Rosa dos Ventos, com apoio psicológico e psiquiátrico gratuito e confidencial 24 horas para prevenção de casos de suicídio.
Segundo a UFPR, por ser transversal, o estudo identifica associações, mas não estabelece causa e efeito.
Os dados se referem a uma unidade regional e não podem ser generalizados automaticamente para todo o efetivo da PF no país.
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