Um levantamento coordenado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) reuniu registros de 35.699 espécies de besouros no Brasil, além de identificar áreas ainda pouco estudadas no tema.
O trabalho, publicado no periódico da Sociedade Brasileira de Zoologia, aponta que o país concentra cerca de 9% das espécies de Coleoptera (ordem dos besouros) já descritas. A estimativa pode chegar a 15% quando são consideradas espécies ainda não conhecidas pela ciência.
O estudo envolveu 100 pesquisadores de 15 países e analisou dados do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), inventários de biodiversidade de outros países e estudos anteriores sobre a ordem Coleoptera.
Entre as referências está o primeiro inventário nacional do grupo, produzido em 2000 por Cleide Costa, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP).
Segundo os dados reunidos, cerca de 144 novas espécies brasileiras são descritas por ano. Mantido o ritmo atual, a média poderá alcançar 180 espécies anuais na próxima década. Isso representaria o registro de uma nova espécie a cada dois dias.
Os 35.699 registros estão distribuídos em 4,9 mil gêneros e 116 famílias.
O total supera em aproximadamente 40% a quantidade de espécies conhecida em toda a América do Norte.
Na comparação com o inventário de 2000, o número de gêneros identificados no Brasil cresceu cerca de 29%, enquanto o de espécies aumentou aproximadamente 33%. O estudo também aponta diferenças no nível de conhecimento entre os grupos.
Algumas famílias são pouco pesquisadas e outras nunca foram registradas oficialmente no país. Para os autores, essas lacunas indicam que a diversidade brasileira de besouros ainda não foi totalmente documentada.
A ordem Coleoptera é a maior entre os insetos. A diversidade está ligada, entre outros fatores, à metamorfose completa, com ovo, larva, pupa e adulto. Cada etapa possui necessidades distintas e permite explorar diferentes recursos e ambientes em diferentes regiões do planeta.
Outro elemento característico é a presença dos élitros, asas anteriores endurecidas que protegem o corpo.
O trabalho teve como primeiro autor Edilson Caron, professor do Departamento de Biodiversidade da UFPR.
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