Correio da Manhã
Polícia Civil do Paraná

Grupo é alvo de operação por lavagem de R$ 8,3 milhões no Paraná

Investigação teve início após o sequestro de um empresário em Curitiba e revelou esquema de desvio milionário por meio de boletos falsos e empresas de fachada

Grupo é alvo de operação por lavagem de R$ 8,3 milhões no Paraná
Sequestro leva polícia a esquema que desviou mais de R$ 8,3 milhões de empresa Crédito: PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), uma operação para desarticular um grupo suspeito de lavar mais de R$ 8,3 milhões desviados de uma empresa de produtos médicos em Curitiba. A investigação começou após o sequestro do proprietário da companhia, ocorrido em setembro de 2024, e revelou um esquema de fraudes financeiras praticado por ex-funcionárias e pessoas ligadas ao grupo.

Ao todo, foram cumpridos 27 mandados judiciais, entre ordens de busca e apreensão e de sequestro de valores, nas cidades de Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana da capital paranaense, além de Porto Alegre (RS). Até a última atualização da operação, a polícia não havia divulgado o número de presos.

Investigação aponta desvio milionário por boletos fraudulentos

Segundo a Polícia Civil, o esquema começou enquanto duas investigadas ainda trabalhavam na empresa. Uma delas ocupava o cargo de gerente administrativa e era responsável pelo setor financeiro.

As investigações apontam que o grupo emitia boletos bancários fraudulentos em nome de empresas de fachada, fazendo com que os pagamentos fossem autorizados como se fossem despesas legítimas da empresa.

De acordo com o delegado Emmanoel David, a posição das funcionárias permitia acesso ao controle das ordens bancárias, o que facilitou a realização das transferências irregulares.

Conforme a polícia, os valores desviados eram distribuídos entre integrantes da organização por meio de diversas movimentações financeiras, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.

Ao longo das investigações, foram identificadas 11 pessoas envolvidas no esquema e a emissão de 46 boletos fraudulentos entre janeiro e setembro de 2024.

Sequestro levou à descoberta da fraude

O caso veio à tona após o sequestro do empresário, de 58 anos, ocorrido em 17 de setembro de 2024, no bairro Jardim Botânico, em Curitiba.

Segundo a investigação, criminosos simularam um acidente de trânsito para abordar a vítima. Após ser rendido, o empresário foi obrigado a realizar transferências bancárias. A quadrilha pretendia obter cerca de R$ 3 milhões, mas a movimentação financeira despertou suspeitas do gerente da instituição bancária, que acionou a polícia antes da conclusão do plano.

Horas depois, o veículo da vítima foi encontrado incendiado no bairro Boqueirão, na capital paranaense. O empresário foi localizado no dia seguinte, em Monte Castelo, no Norte de Santa Catarina.

Ex-gerente é apontada como mentora do esquema

A Polícia Civil afirma que o sequestro foi planejado por uma ex-gerente administrativa da empresa, presa em abril deste ano em São José dos Pinhais. Além dela, outra ex-funcionária, familiares e pessoas próximas também são investigados por participação tanto no desvio dos recursos quanto no sequestro do empresário.

As investigações continuam para identificar toda a movimentação financeira do grupo e recuperar os valores obtidos por meio das fraudes.