Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) analisaram como mudanças ambientais afetam a diversidade de cores de borboletas frugívoras na Mata Atlântica do sul do Brasil.
A perda da biodiversidade provocada pelo desmatamento e pela silvicultura (manejo de florestas) com espécies exóticas também compromete características importantes para o funcionamento dos ecossistemas, além de reduzir o número de espécies.
O estudo foi realizado na Floresta Nacional de São Francisco de Paula e publicado na revista científica Biodiversity and Conservation. Foram avaliados milhares de indivíduos para identificar alterações nos padrões de coloração relacionadas às transformações do ambiente.
Segundo a pesquisa, as cores das borboletas são importantes para funções como reprodução, defesa contra predadores e regulação da temperatura corporal, questões que dependem de condições ambientais estáveis
Em áreas degradadas, padrões que antes favoreciam a sobrevivência podem deixar de cumprir esse papel, enquanto aspectos como camuflagem e sinais de toxicidade passam a ser mais frequentes.
Os resultados indicam que essa mudança reduz a diversidade de características presentes nas populações de borboletas e pode comprometer interações ecológicas, tornando os ambientes mais vulneráveis a novos impactos.
A pesquisa também mostra que a regeneração natural da floresta pode recuperar parte dessa diversidade.
Estudos na Amazônia indicam que áreas em recuperação conseguem restabelecer os padrões de cor das borboletas após cerca de 30 anos, à medida que a vegetação recompõe as condições necessárias. O mesmo não ocorre em áreas ocupadas por monoculturas de pinus e eucalipto. Mesmo após décadas, essas plantações mantêm alterações no solo, no microclima e na vegetação, dificultando a recuperação.
Outro destaque do trabalho é a metodologia utilizada. A equipe empregou fotografias padronizadas das asas e análise digital das imagens para avaliar os padrões completos de coloração.
Segundo os autores, a técnica amplia as possibilidades de monitoramento da biodiversidade e pode contribuir para ações de conservação.
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