ESTADO DE SÃO PAULO

SP registra 1.683 não retornos em 57 mil saídas temporárias de presos

PEC aprovada não prevê proibição geral das saidinhas, mas cita regulamentação

SP registra 1.683 não retornos em 57 mil saídas temporárias de presos
SP teve 57.294 saídas temporárias de presos em março e junho Crédito: Divulgação/SAP

Com a aprovação da PEC(Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública pelo Senado, na terça-feira (3), o debate sobre as saídas temporárias de presos voltou à pauta. No Estado São Paulo, dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) mostram 1.683 registros de não retorno após as saidinhas de março e junho de 2026, entre 57.294 saídas autorizadas.

Em março, 28.778 presos receberam autorização para deixar as unidades prisionais. Desse total, 27.876 retornaram e 902 não se apresentaram. A SAP também contabilizou 33 recapturados, 28 presos por novos crimes e três mortes.

Em junho, foram registradas 28.516 saídas, com 27.734 retornos e 781 casos de não retorno. Outros 55 presos foram recapturados, 31 acabaram presos por novos crimes e quatro morreram.

Nos dois períodos, foram 88 recapturas, 59 prisões por novos crimes e sete mortes. O número de não retornos caiu 13,4% entre março e junho.

O levantamento da SAP aponta que São Paulo tinha 228.081 pessoas na população prisional em 30 de junho, sendo 180.368 no regime fechado, 46.599 no semiaberto e 1.114 em medida de segurança.

O tráfico de drogas aparece com 84.462 registros, seguido por roubo, com 49.092, furto, com 26.102, e homicídio, com 18.528. A categoria organização criminosa, quadrilha ou bando reúne 2.031 registros.

Outro relatório da SAP contabiliza 800 registros de não retorno à unidade prisional após a saída temporária, sendo 760 classificados no semiaberto e 40 no fechado. 

SOBRE A PEC APROVADA

A PEC 18/2025, apresentada pelo governo federal, foi aprovada pelo Senado em dois turnos, com 73 votos favoráveis no primeiro e 75 no segundo, sem votos contrários.

A proposta prevê regimes penais mais rigorosos para integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, incluindo restrições a benefícios penais e à progressão de regime.

O texto não extingue automaticamente todas as saídas temporárias. As restrições específicas ainda dependerão de regulamentação. A PEC segue para promulgação pelo Congresso Nacional.