RELAÇÕES BRASIL X CHINA

São Paulo concentra 70% da comunidade chinesa que vive atualmente no Brasil

Estado reúne 196 mil chineses e descendentes e amplia conexão entre Brasil e China. Relação diplomática completou 52 anos em agosto

São Paulo concentra 70% da comunidade chinesa que vive atualmente no Brasil
A China ocupa, desde 2009, a posição de principal parceiro comercial do Brasil. Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo concentra a maior comunidade chinesa do Brasil, com cerca de 70% dos chineses e descendentes que vivem no país. A presença dessa população acompanha a ampliação das relações comerciais, culturais e diplomáticas entre Brasil e China, que completaram 52 anos em agosto.

Segundo estimativas do Consulado-Geral da China em São Paulo, aproximadamente 280 mil chineses e descendentes vivem atualmente no Brasil. Desse total, perto de 196 mil estão no estado paulista, principalmente na capital.

Na cidade de São Paulo, a comunidade está presente em bairros como Liberdade, Brás, Bom Retiro, Vila Olímpia e Brooklin Paulista. A Liberdade, conhecida pela imigração japonesa, também reúne moradores, estabelecimentos e instituições ligados à comunidade chinesa e recebe as celebrações do Ano-Novo Chinês.

A presença chinesa no Brasil antecede o estabelecimento das relações diplomáticas entre os países, iniciado oficialmente em 15 de agosto de 1974. Segundo o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador das migrações chinesas no Brasil Carlos Freire da Silva, existem registros dessa influência desde o período colonial.

"No século 18, o Brasil era um dos lugares que mais consumiam porcelana chinesa. A cultura chinesa influenciava hábitos da elite colonial portuguesa, e isso também se refletiu no Brasil", explica.

Apesar dos registros anteriores, a imigração chinesa ganhou força a partir da década de 1970, com a chegada de grupos vindos principalmente de Taiwan e da província chinesa de Zhejiang. São Paulo tornou-se o principal destino dessa população.

"Muitos taiwaneses chegaram ao Brasil por meio de redes familiares, religiosas e comerciais que já existiam em São Paulo", afirma Freire.

Um dos registros desse processo é a Primeira Igreja Presbiteriana de Formosa do Brasil, na Liberdade. Formosa era o nome utilizado historicamente pelos portugueses para se referir à ilha de Taiwan.

Com o passar dos anos, integrantes da comunidade passaram a atuar no comércio em regiões como a Rua 25 de Março, a Galeria Pagé e o Brás. O movimento coincidiu com mudanças na economia brasileira e com o crescimento das relações comerciais entre os dois países.

"A abertura econômica brasileira dos anos 1990 coincidiu com um período de expansão das relações comerciais com a China. Muitos imigrantes passaram a atuar na importação e distribuição de produtos, fortalecendo redes comerciais que ajudaram a conectar os dois países", afirma Freire.

Dados analisados pelo pesquisador no estudo "Conexões Brasil-China: a migração chinesa no centro de São Paulo" mostram que, em 2010, cerca de 95% dos chineses residentes em São Paulo haviam chegado ao Brasil depois de 1995.

A expansão da comunidade ocorreu em paralelo ao aumento das relações econômicas. A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e também está entre os destinos das exportações paulistas e as origens de investimentos em infraestrutura, logística, energia e tecnologia.

O perfil da comunidade também passou por mudanças. Além de comerciantes e pequenos empresários, há profissionais vinculados às operações de companhias chinesas no país. "Há uma presença crescente de trabalhadores técnicos e profissionais ligados aos investimentos de empresas chinesas em setores como infraestrutura, logística, energia e tecnologia", afirma Freire.

A Assembleia Legislativa de São Paulo promove debates e iniciativas relacionados a comércio exterior, investimentos, inovação, educação e intercâmbio cultural entre os países. "As relações Brasil-China foram construídas também através da migração. Entender a história dos imigrantes chineses é compreender uma parte importante da história dessa parceria", conclui o pesquisador.