TRANSPORTE

CPTM fechou 2025 com prejuízo de R$ 588,6 milhões e aporte do Estado

Companhia recebeu R$ 2,2 bilhões do governo e investiu R$ 2,5 bilhões em 2025

CPTM fechou 2025 com prejuízo de R$ 588,6 milhões e aporte do Estado
Governo transferiu a operação das linhas para a concessionária privada Trivia Trens, mas a Artesp determinou que a estatal retome a operação temporariamente por 90 dias Crédito: Divulgação/Agência SP

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) encerrou 2025 com prejuízo de R$ 588,6 milhões, acima dos R$ 548,4 milhões registrados em 2024. Os dados são do portal da transparência das estatais paulistas. Os dados de 2026 ainda não estão disponíveis.

Criada em 1992, a empresa recebeu os serviços ferroviários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Fepasa. Sua malha viária tem 275,9 quilômetros e reúne trechos de diferentes períodos e tecnologias.

Em 26 de novembro, a CPTM deixou de prestar o serviço de transporte de passageiros da Linha 7-Rubi, após a concessão à iniciativa privada por 30 anos. A companhia terminou o exercício operando as Linhas 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Em julho de 2026, o Governo transferiu a operação das linhas 11,12 e 13 para a concessionária privada Trivia Trens. No entanto, após falhas graves e um incêndio que gerou caos no transporte, a Artesp determinou que a estatal retome a operação temporariamente por 90 dias

O resultado negativo ocorreu apesar do aumento da receita líquida, que passou de R$ 2,574 bilhões em 2024 para R$ 2,657 bilhões em 2025, alta de 3,2%. A receita com transporte de passageiros chegou a R$ 1,370 bilhão, ante R$ 1,331 bilhão no ano anterior. A receita tarifária respondeu por 51% da receita total da companhia.

Os custos dos serviços prestados cresceram em ritmo superior ao da receita. O valor passou de R$ 2,321 bilhões para R$ 2,465 bilhões, alta de 6,2%. Com isso, o lucro bruto recuou de R$ 252,8 milhões para R$ 192,1 milhões.

Entre os custos, a manutenção dos trens teve aumento. A despesa passou de R$ 466,4 milhões em 2024 para R$ 608,8 milhões em 2025. Segundo o balanço, o crescimento ocorreu com o fim da assistência técnica em garantia de duas novas séries de trens, o que levou à contratação desses serviços no mercado.

As despesas administrativas tiveram redução. O valor caiu de R$ 826,4 milhões para R$ 654,3 milhões, queda de 20,8%. A redução, porém, não compensou o aumento dos custos dos serviços prestados e as demais despesas que compõem o resultado da companhia.

A CPTM recebeu R$ 886,2 milhões em subvenção econômica do governo paulista em 2025. Outros R$ 605,6 milhões foram destinados ao ressarcimento de gratuidades legais e à recomposição tarifária. A companhia também registrou R$ 699,4 milhões em adiantamentos para futuro aumento de capital destinados a investimentos.

Os investimentos consumiram R$ 2,484 bilhões de caixa durante o exercício, ante R$ 372,9 milhões em 2024. Mesmo com o volume aplicado, a companhia encerrou o ano com R$ 11,788 bilhões, somando os prejuízos acumulados de exercícios anteriores.

O balanço não apresenta receitas, custos, número de passageiros ou investimentos separados por linha. Por isso, os resultados financeiros da CPTM não podem ser atribuídos individualmente às quatro linhas que permaneceram sob sua operação.

O documento registra ainda a retirada de 112 carros das séries 2.000 e 3.000. Segundo o balanço, os veículos apresentavam baixo desempenho operacional e a recuperação foi considerada antieconômica. As baixas patrimoniais relacionadas a ativos somaram R$ 125,8 milhões no exercício.

A CPTM fechou 2025 com aumento da receita líquida e dos investimentos, expansão do patrimônio e redução das despesas administrativas. Ao mesmo tempo, os custos dos serviços cresceram acima da receita e o prejuízo passou de R$ 548,4 milhões para R$ 588,6 milhões.