PORTO DE SANTOS TECON 10

Fiesp defende regras de concorrência para leilão do Tecon Santos 10

Entidade pede edital com competição aberta, eficiência e investimentos no porto

Fiesp defende regras de concorrência para leilão do Tecon Santos 10
Projeto do Tecon Santos 10 vai expandir da capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos Crédito: Divulgação/APS

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendeu regras que assegurem concorrência, eficiência operacional e modicidade tarifária no leilão do Terminal de Contêineres Santos 10 (Tecon Santos 10 ou STS-10), previsto para ocorrer no início de 2027. A entidade afirmou que a definição do edital, prevista para 2026, será determinante para garantir a participação de diferentes empresas e a execução do projeto.

O Tecon Santos 10 é um empreendimento voltado à implantação e operação de um novo terminal de contêineres no Porto de Santos, em São Paulo. O projeto tem como objetivo ampliar a capacidade de movimentação de cargas conteinerizadas no maior complexo portuário do país e atender ao aumento da demanda do comércio exterior brasileiro.

Segundo a Fiesp, o edital deve estabelecer mecanismos para preservar a concorrência no Porto de Santos. A entidade defende que empresas com presença relevante no complexo portuário ou que possam representar risco concorrencial tenham a participação condicionada à aprovação de um plano de desinvestimento caso sejam vencedoras do certame.

A federação também propõe a inclusão de indicadores de qualidade no contrato de concessão, com metas operacionais, auditorias, penalidades em caso de descumprimento e incentivos para modernização das operações. A avaliação é de que o acompanhamento de desempenho deve fazer parte das regras do terminal.

Outro ponto defendido pela Fiesp é que os recursos arrecadados com a outorga do leilão sejam destinados obrigatoriamente a investimentos no Porto de Santos e em seus acessos terrestres e aquaviários. A entidade afirma que a aplicação dos valores deve estar vinculada à melhoria da infraestrutura logística.

As propostas foram apresentadas durante reunião conjunta do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) e do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, conduzida pelo presidente do Coinfra, Marcos Lutz. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas em logística, parlamentares e ex-dirigentes de órgãos públicos.

Durante a reunião, o diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron Santos, informou que a saturação da infraestrutura portuária gerou impactos financeiros para o setor. Segundo ele, atrasos de navios e custos logísticos adicionais resultaram em prejuízo acumulado de R$ 3,8 bilhões desde 2019.

A deputada federal Adriana Ventura apresentou informações sobre divergências entre órgãos envolvidos na estruturação do projeto, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Ministério de Portos e Aeroportos e a Casa Civil. Segundo ela, a definição das regras da concessão depende do alinhamento entre as instituições.

O ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Barreto de Souza, afirmou que o órgão não apontou restrições técnicas para a participação de armadores no leilão. Ele também declarou que não há evidências de prejuízos ao setor brasileiro decorrentes da integração entre empresas de navegação e operadores de terminais portuários.

O diretor da Divisão de Logística e Transportes do Deinfra e ex-presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Casemiro Tércio Carvalho, defendeu a revisão das métricas previstas no edital e a inclusão de níveis de serviço no contrato para acompanhar a operação do terminal.

O Tecon Santos 10 é considerado um dos principais projetos para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos. A definição das regras do edital deverá estabelecer as condições de participação, os compromissos de investimento e os critérios de operação do futuro terminal.