Correio da Manhã
ELEIÇÕES 2026

Mário Oliveira Filho articula pré‑candidatura à Presidência da República e aguarda decisão do PSDB

Pardo, neto de escravos, advogado, engenheiro, empresário e poliglota, Mário se diz "preparado para ser Presidente do Brasil"

Mário Oliveira Filho articula pré‑candidatura à Presidência da República e aguarda decisão do PSDB
Mário Oliveira Filho aguarda decisão do PSDB sobre candidatura à Presidência Crédito: Rafael Chinaglia/Correio da Manhã

"Eu me preparei para ser Presidente do Brasil". É com essa afirmação que o empresário Mário de Oliveira Filho, de 73 anos, trabalha para viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB. "Meus exames falam que minha idade biológica é de 60 anos, resultado de hábitos esportivos como o tênis e de acompanhamento regular de saúde" - diz em tom descontraído.

Em entrevista ao Correio da Manhã, ele se posiciona no jogo eleitoral como uma alternativa de perfil técnico e  desenvolvimentista, combinando trajetória nos setores público e privado, formação acadêmica diversificada e uma visão centrada em crescimento econômico acelerado.

Nascido em Aquidauana(MS), de cor parda, neto de escravos, sétimo filho de um maquinista de trem e de uma parteira, que depois se tornou enfermeira, ele se mudou para Bauru (SP) aos quatro anos de idade, onde construiu sua formação inicial.

Engenheiro e advogado, com pós-graduações em diferentes áreas, Mário também acumula experiência internacional e passagem por grandes corporações, incluindo atuação na Petrobras, em empresa estrangeira e no cargo de CEO de uma multinacional francesa.

Poliglota, afirma falar fluentemente inglês e mandarim, além de alemão e francês. Segundo ele, a decisão de priorizar alguns idiomas foi estratégica: “não dá para falar todas as línguas ao mesmo tempo, então me dediquei ao chinês e ao inglês para poder conversar, inclusive, com líderes como o Trump e Xi Jinping [presidentes dos EUA e China]”, diz.

No campo político,  se apresenta como parte de uma renovação dentro do PSDB, embora reconheça que o partido tem nomes fortes cotados para a disputa presidencial, como Ciro Gomes (que deve disputar o Governo do Ceará) e Aécio Neves. Fernando Henrique Cardoso, que governou o Brasil entre 1995 e 2002, também era do PSDB.

Nos últimos meses, tem trabalhado para buscar apoio, reconhecimento e protagonismo dentro da sigla, para ser pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB em 2026. Segundo ele, a definição deve ocorrer em até 15 dias, dentro de um processo que envolve diferentes lideranças e interesses regionais. 

Ao defender sua pré-candidatura, Mário Filho afirma que sua inserção no processo ocorre como parte do movimento de  reposicionar o “protagonismo” do PSDB, destacando que a decisão final dependerá das instâncias partidárias.

Diz ainda que sua motivação política está ligada à “gratidão e obrigação com o país”, defendendo uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, o Brasil teria perdido competitividade internacional e hoje precisa de um "projeto de transformação profunda", e não apenas de manutenção de políticas existentes.

Perguntado se há espaço para uma terceira via no Brasil, afirmou que a polarização no país é uma “falácia” e que há um amplo contingente de eleitores independentes. Ele se apresenta como uma alternativa fora do eixo entre governo e oposição tradicional, destacando sua experiência internacional nos setores público e privado como diferencial.

Na avaliação de Mário, o Brasil deve ter um “destino manifesto” de liderança global, sustentado por sua diversidade cultural e potencial criativo. "Um líder precisa dizer às pessoas onde quer chegar. “Se você não consegue dizer como vai dobrar a renda do país, então você não tem um projeto de nação” - diz. "Eu tenho uma visão clara de como dirigir o país" - completa.

Questionado se defende uma proposta mais conservadora ou progressista, Mário diz que é mais "pragmático". "As pessoas evoluem ao longo do tempo. O progressista, quando adquire o poder, vira conservador pra defender os próprios interesses" - justifica. "Sou contra a reeleição" - define.

Economia

No campo econômico, defende que o país deveria buscar crescimento do Produto Interno Bruto acima de 6% ao ano, com investimentos equivalentes a 25% do PIB. Critica o que chama de governos “gradualistas”, que tentam apenas manter as estruturas atuais e afirma que a estagnação impede a duplicação da renda da população. “O Brasil precisa parar de pensar pequeno. Crescer 2% não muda a vida de ninguém”, afirma.

Para ele, o país perdeu oportunidades históricas em ciclos como o do carvão, petróleo e tecnologia digital, e agora precisa focar na transformação digital e na inteligência artificial como motores de produtividade. "Você tem que convencer as pessoas, mostrar visão pra elas, mostrar que é possível treiná-las, motivá-las e recompensá-las, monetariamente, para que elas se engajem ao processo e acreditem no processo" -diz.

Mário cita ainda o "Orçamento base zero". "As grandes empresas usam. Você precisa comprovar primeiro quanto cada ação vai custar no todo, pra depois você alocar o recurso com aquilo... É preciso ter uma secretaria especial de eficiência" - completa.

Combate à corrupção

Mário defende mudanças profundas na máquina pública. Entre suas propostas, destaca medidas de combate à corrupção, como a recompensa a denunciantes de irregularidades com até 10% do valor recuperado. 

Defende também a transparência total de atos públicos, com transmissão e disponibilização de reuniões governamentais na internet. "Não deveria existir sigilo. Todas as reuniões em órgãos públicos deveriam ser filmadas e transmitidas. Se faz reunião particular, já se pressupõe que está escondendo alguma coisa" - diz.

Ressalta ainda necessidade de maior participação feminina em espaços de poder como forma de reduzir a corrupção. "É mais difícil corromper uma mulher" - afirma.

Justiça

Na área da Justiça, sugere mudanças procedimentais, como a presença simultânea das partes em audiências.

Segurança Pública

Para a segurança pública, propõe uma doutrina baseada em “distanciamento seguro, aprisionamento digno e produtividade”, separando os presos mais perigosos e obrigando que eles trabalhem para ajudar nos custos dos presídios". 

"Defendo um esquema de recuperação através do trabalho. Cada dia trabalhado, o preso reduz um dia na prisão e ele vai receber um salário. Desse salário, parte fica com o governo pra custear as despesas dele na cadeia e metade fica numa poupança pra ele no futuro. Com isso, você desmantela as facções" - diz.

Defende também a unificação das polícias e foco na execução de mandados de prisão em aberto.

Educação

Como estratégia de prevenção à criminalidade, defende educação obrigatória em tempo integral dos 2 aos 18 anos.

O empresário também defende uma visão mais rígida sobre gestão pública e universidades, sugerindo que reitores tenham como prioridade a captação de recursos e que os estudantes tenham oportunidade de trabalhar no período acadêmico, contribuindo  com a universidade e elevando a qualidade do ensino. “Quando você paga, você exige mais”, resume.

Sobre sua trajetória pessoal, destaca a importância da experiência prática: começou no SENAI, ingressou em engenharia na UNESP, enfrentou dificuldades financeiras no primeiro ano da faculdade e conseguiu uma bolsa no Instituto Roberto Simonsen, com a qual afirma ter assumido o compromisso de retribuir posteriormente.

"Eu venho de uma família que sempre acreditou no estudo e no trabalho como forma de transformação”, diz.

Inteligência artificial

Mário Filho ressalta a importância da inteligência artificial e da tecnologia como fatores centrais de soberania nacional, afirmando que o Brasil precisa reduzir sua dependência tecnológica externa para recuperar produtividade e competitividade.

Soberania nacional

"Hoje nós não temos soberania. A grande questão hoje não é força militar, mas a tecnologia. Imaginar que alguém nos Estados Unidos pode bloquear o andamento das operações de internet no Brasil é assustador.  Não tem nenhuma soberania, nós não temos. Nós estamos praticamente indefesos com relação a isso... Se os americanos vierem e colocarem um porta-aviões ali na foz do Amazonas, um porta-aviões americano tem mais jatos que a Força Aérea Brasileira inteira" - enfatiza.

Sistema de cotas

Pardo e neto de escravos, Mário faz críticas ao atual sistema de cotas, que leva apenas a cor como critério. Ele defende um modelo de meritocracia baseado em potencial, desempenho técnico e engajamento social.

Ele diferencia racismo, discriminação e preconceito, afirmando que a discriminação é um fenômeno universal, enquanto o preconceito é um comportamento individual que precisa ser enfrentado culturalmente. "Precisamos aprender a conviver com as diferenças" - diz.  Já o racismo institucional, segundo ele, estaria restrito a regimes históricos específicos.

Mário também afirma que o crescimento econômico é a principal ferramenta para reduzir desigualdades sociais e promover inclusão. “Quando as pessoas têm dinheiro no bolso, os problemas diminuem”, diz.

Perguntado se seria importante o Brasil ter um presidente pardo ou negro eleito democraticamente, já que o único representante brasileiro pardo foi Nilo Peçanha, em 1909, Mário responde: "Eu acho que é importante para o Brasil ter um presidente intelectualmente preparado pros novos tempos, que fale línguas, que tenha conhecimento de engenharia, com interesse em IA e que consiga ter uma visão, uma trajetória que mostra como o conhecimento leva ao desenvolvimento e à prosperidade" - finaliza.

 

Vaga aberta ao Governo de São Paulo 

Perguntado sobre a possibilidade de concorrer ao Governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2026 após a desistência do pré-candidato tucano, Paulo Serra, Mário Oliveira Filho diz que tudo depende do partido. "Eu pretendo servir ao Brasil e ao partido ao mesmo tempo, se for possível, se o partido entender que essa é a melhor solução. Eu não me oporia em princípio, mas a minha vontade é ser Presidente do Brasil. Eu estudei pra isso" - conclui. 

Macaque in the trees
Mário Oliveira Filho quer ser Presidente do Brasil | Foto: André Souza / Correio da Manhã