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TCE aprova contas de Tarcísio, mas faz ressalvas sobre incentivos

Tribunal de Contas apontou falhas em renúncias fiscais, demonstrações contábeis e gestão previdenciária ao emitir parecer favorável às contas

TCE aprova contas de Tarcísio, mas faz ressalvas sobre incentivos
TCE recomendou revisão dos critérios de concessão de incentivos fiscais Crédito: Francisco Cepeda/Governo do Estado de SP

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) emitiu parecer favorável às contas do governador Tarcísio de Freitas referentes ao exercício de 2025. A decisão foi aprovada por unanimidade pelo plenário da Corte em sessão realizada na quarta-feira (17), sob relatoria do conselheiro Marco Bertaiolli. Apesar da aprovação, o órgão registrou três ressalvas e apresentou recomendações ao Executivo estadual.

As observações do tribunal concentram-se em impropriedades identificadas nas demonstrações contábeis do Estado, na política de renúncia de receitas tributárias e na gestão previdenciária dos servidores públicos estaduais. O parecer será encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), responsável pelo julgamento definitivo das contas do governador.

Durante a apresentação do relatório, Bertaiolli destacou fragilidades na concessão e fiscalização de benefícios fiscais relacionados ao ICMS. Segundo o conselheiro, auditorias realizadas pelo tribunal identificaram situações em que empresas utilizaram créditos outorgados sem que houvesse relação direta entre a atividade econômica desenvolvida e o incentivo recebido.

O relator também apontou casos em que o volume de vendas declarado por beneficiários não seria suficiente para justificar os créditos fiscais obtidos. Em algumas situações, segundo o parecer, foram identificadas empresas sem registro de vendas, apesar da utilização dos benefícios tributários.

Outro ponto destacado foi o crescimento das renúncias fiscais concedidas pelo Estado. O conselheiro classificou esse conjunto de incentivos como um “orçamento paralelo”, em razão do volume de recursos envolvidos e da dificuldade de mensurar seus resultados. O relatório aponta ausência de informações que permitam avaliar de forma consistente a efetividade das medidas adotadas.

De acordo com o parecer, não foram apresentados elementos suficientes para demonstrar a necessidade pública de cada benefício concedido nem indicadores que comprovassem retorno econômico ou social decorrente dos incentivos. Entre os critérios citados pelo tribunal estão a geração de empregos, a atração de investimentos, o desenvolvimento regional e o estímulo à inovação.

O TCE recomendou que a Secretaria da Fazenda e Planejamento aperfeiçoe os mecanismos de concessão, acompanhamento e avaliação das renúncias tributárias. A orientação é que sejam estabelecidos critérios mais objetivos para medir os resultados dos programas e justificar a manutenção dos incentivos.

A Corte também registrou ressalvas relacionadas à gestão previdenciária estadual e a inconsistências verificadas nas demonstrações contábeis, embora tenha considerado que os apontamentos não comprometeram a regularidade geral das contas.