O turismo de observação de vida silvestre avança no litoral e no interior paulista impulsionado por roteiros ligados à Mata Atlântica, bioma que concentra algumas das áreas mais preservadas do Estado e atrai visitantes interessados em aves, mamíferos, e paisagens naturais. A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo lançou a segunda edição do Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestre, reunindo destinos voltados ao chamado birdwatching e ao ecoturismo em regiões da Baixada Santista e do Vale do Ribeira.
A publicação apresenta trilhas, parques e áreas de conservação ambiental que permitem a observação de espécies endêmicas e migratórias em meio a manguezais, restingas, serras e florestas preservadas. Entre os destaques estão cidades da Região Turística Costa da Mata Atlântica, formada por municípios como Santos, São Vicente, Praia Grande, Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Bertioga e Guarujá.
Segundo o guia, a diversidade de ambientes naturais favorece a presença de aves raras e ameaçadas, além de espécies bastante procuradas por observadores e fotógrafos da natureza. Entre elas estão o tiê-sangue, o tangará, o guará-vermelho, o formigueiro-do-litoral e o gavião-pombo-pequeno.
Em Praia Grande, o Parque Ézio Dall’Acqua, conhecido como Portinho, reúne uma das principais áreas de observação da Baixada Santista. O manguezal localizado na entrada da cidade possui 165 espécies de aves catalogadas entre residentes e migratórias. O roteiro pode ser percorrido em caminhadas de duas a três horas, principalmente durante o outono, inverno e primavera.
No local, os visitantes podem avistar espécies ameaçadas, como a saíra-sapucaia, além do guará, da saíra-de-sete-cores, do araçari-banana, da saracura-matraca e do jaó-do-sul. A região também conta com passarelas ecológicas e áreas abertas para observação.
Em Peruíbe, o bairro do Guaraú é cercado pela Estação Ecológica Juréia-Itatins, área reconhecida pela grande concentração de Mata Atlântica preservada. Manguezais, restingas, cachoeiras e trilhas compõem o cenário procurado por turistas e pesquisadores. O período entre março e novembro é considerado o mais favorável para observação de aves.
Na Praia de Taniguá, também em Peruíbe, centenas de aves migratórias utilizam a região como ponto de descanso em rotas internacionais. Entre as espécies registradas estão o maçarico-de-papo-vermelho, o batuiruçu, a batuíra-de-bando e o maçarico-branco.
No interior paulista, o Parque Natural Municipal Morro do Ouro, em Apiaí, e o Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo, integram os roteiros de observação. O Morro do Ouro abriga aves como o gavião-de-penacho, o tangará-da-serra e o sabiá-una em áreas de mata preservada e mirantes localizados a mais de mil metros de altitude.
Já o Parque Carlos Botelho concentra cerca de 330 espécies de aves, número equivalente a quase 20% da fauna alada brasileira. As trilhas do Núcleo São Miguel Arcanjo passam por bosques de araucárias, áreas em regeneração e margens de represas.
A relação entre a Mata Atlântica e a observação da fauna remonta aos primeiros relatos feitos sobre o território brasileiro. Em maio de 1560, o padre José de Anchieta concluiu a “Carta de São Vicente”, documento em latim e espanhol no qual descreveu aspectos da fauna, da flora e das paisagens da região. Em um dos trechos, destacou a diversidade de aves encontradas na floresta, considerada à época uma das mais exuberantes do continente. O crescimento do turismo ambiental também tem incentivado ações de preservação e educação ambiental em unidades de conservação paulistas. Operadores turísticos e pesquisadores apontam que a procura por roteiros ligados à natureza aumentou nos últimos anos, especialmente entre visitantes interessados em fotografia, caminhadas ecológicas e experiências de contato direto com a biodiversidade. A atividade movimenta pousadas, guias locais e serviços ligados ao ecoturismo local.