O estado de São Paulo deve alcançar até o fim de 2026 a marca de 1 milhão de metros cúbicos diários de capacidade instalada para produção de biometano. O volume é suficiente para abastecer integralmente as 2,8 milhões de residências conectadas à rede de gás canalizado paulista, segundo dados apresentados durante encontro promovido pela InvestSP e pela Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
Atualmente, São Paulo concentra nove das 19 plantas de biometano em operação no país e responde por cerca de metade da produção nacional do combustível renovável. Outras 11 unidades estão em fase de autorização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A estimativa do governo paulista é que o potencial total de produção no estado alcance 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.
Produzido principalmente a partir de resíduos agroindustriais e de aterros sanitários, o biometano é apontado como alternativa para reduzir emissões de gases de efeito estufa e substituir combustíveis fósseis em setores industriais e de transporte. A capacidade prevista para este ano equivale, segundo dados apresentados no evento, à substituição aproximada de 4 mil ônibus movidos a diesel.
Representantes da Semil destacaram que o crescimento do setor vem sendo impulsionado por políticas públicas estaduais e federais, além da modernização de processos regulatórios e ambientais. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que o tempo médio para licenciamento de plantas foi reduzido para até 60 dias, com regras padronizadas para o segmento.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) também apontou avanços na integração do biometano às redes de distribuição de gás canalizado. Recentemente, foi aprovada a interconexão da planta instalada no aterro sanitário de Caieiras à rede da Comgás.
Durante o encontro, empresas e instituições apresentaram experiências de utilização do combustível renovável. A Natura informou que utiliza biometano em parte dos processos industriais e em toda a frota logística entre Cajamar e a Grande São Paulo. Já a Geo Bio Gas & Carbon destacou estudos para produção de combustível sustentável de aviação a partir de resíduos do setor sucroenergético.
Especialistas avaliam que o avanço da infraestrutura, aliado aos incentivos regulatórios e à diversificação das matérias-primas utilizadas, deve ampliar a participação do biometano na matriz energética brasileira nos próximos anos.