Por: Redação

Haddad critica gestão Tarcísio na segurança de SP

Pré-candidato aponta falhas na gestão das polícias | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, fez críticas nesta quarta-feira (6) à condução da segurança pública pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O tema tem ocupado posição central no debate político estadual, diante da percepção de aumento da criminalidade e da preocupação da população com o assunto.

Em entrevista à rádio TMC, Haddad afirmou que a atual gestão acumula promessas não cumpridas e decisões equivocadas, especialmente em relação às polícias Civil e Militar. Segundo ele, houve perda de confiança por parte de integrantes da Polícia Civil, citando compromissos assumidos e não concretizados, como reajustes salariais.

Em março, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projetos que preveem aumento de 10% nos salários das forças de segurança a partir de 2026, além de alterações no plano de carreira da Polícia Civil. As propostas foram enviadas pelo Executivo após pressão de representantes das categorias, que há anos reivindicavam mudanças estruturais.

Haddad também criticou a posição do governador contrária à chamada PEC da Segurança Pública, já aprovada na Câmara dos Deputados e ainda pendente de análise no Senado. A proposta estabelece diretrizes para integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. Para o petista, a rejeição à medida compromete a cooperação entre entes federativos.

O ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), que deve disputar o Senado, também foi alvo de críticas. Haddad atribuiu a ele desorganização interna na Polícia Militar, especialmente em relação a promoções e gestão hierárquica. Segundo o pré-candidato, há insatisfação nas corporações não apenas por questões salariais, mas também administrativas.

A lei antifacção, sancionada em março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também foi mencionada. Derrite atuou como relator da proposta e apresentou diferentes versões do parecer, o que gerou questionamentos durante a tramitação.

Entidades como a OAB-SP apontaram inconsistências em projetos de reestruturação das carreiras policiais, incluindo possíveis impactos na progressão funcional e concentração de agentes em níveis iniciais. Também foram levantadas preocupações quanto à ampliação da influência do Executivo em promoções e ausência de políticas voltadas à saúde mental dos profissionais.

Na área fiscal, Haddad afirmou que o estado enfrenta redução de caixa e criticou o que classificou como falta de entregas concretas em obras anunciadas. Já Tarcísio, em declaração anterior, rebateu críticas do adversário e questionou sua atuação na política econômica nacional, mencionando indicadores como dívida pública e carga tributária.

Secretaria de Comunicação do Estado se posiciona

Ao Correio da Manhã, a Secretaria de Comunicação do Estado afirmou que as declarações sobre a situação fiscal e a segurança pública “apresentam uma leitura equivocada dos indicadores fiscais e uma desconexão com a realidade dos fatos”. Segundo a pasta, o resultado primário é o parâmetro utilizado pelo Tesouro Nacional e demais organismos fiscais para avaliar a saúde financeira dos governos e, desde o início da atual gestão, a disponibilidade de caixa do Governo de São Paulo permanece em patamar elevado, atualmente em cerca de R$ 22 bilhões.

A Secretaria informou ainda que o Estado registrou sucessivos superávits acima das metas legais: R$ 5,5 bilhões em 2023, diante de uma meta de R$ 2,4 bilhões; R$ 12,9 bilhões em 2024, ante meta de R$ 3,9 bilhões; e R$ 8,5 bilhões em 2025, frente à meta de R$ 5,7 bilhões. De acordo com o órgão, os resultados decorrem de medidas adotadas desde 2023 para garantir equilíbrio fiscal, gestão responsável da dívida e manutenção do nível de caixa compatível com os princípios da responsabilidade fiscal.

Segundo a pasta, esse cenário permitiu ampliar investimentos em áreas estratégicas, com valores próximos de R$ 30 bilhões anuais, além de fortalecer políticas públicas. Entre as obras destacadas pela Secretaria estão o primeiro trecho do Rodoanel Norte, conectando as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias; a Linha 17-Ouro, que fará a ligação do aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária; e os contornos Sul e Norte da Rodovia dos Tamoios, que reduziram o tempo de viagem entre Caraguatatuba e São Sebastião. A pasta também citou o programa SP pra Toda Obra, que, segundo informou, soma cerca de R$ 145 bilhões em investimentos e mais de 4,3 mil obras na malha viária estadual.

A Secretaria ressaltou que “não há qualquer problema fiscal no Estado” e afirmou que o superávit de 2024 foi obtido sem considerar receitas provenientes das privatizações da Sabesp e da EMAE, classificadas como não primárias.

Sobre a segurança pública, a pasta declarou que o governo estadual “reconhece e valoriza as carreiras policiais desde o início da atual gestão”. Conforme o órgão, o reajuste médio acumulado concedido às forças de segurança chegou a 35% entre 2023 e 2025, percentual que, segundo a Secretaria, supera em cerca de 21 pontos percentuais a inflação medida pelo IPCA no período. A pasta acrescentou que também houve reorganização dos planos de carreira das polícias Civil e Militar, com mudanças nas regras de progressão funcional, descritas pela gestão como mais previsíveis, transparentes e baseadas em critérios técnicos.

Ainda segundo a Secretaria, mais de R$ 50 bilhões foram destinados à modernização das forças de segurança nos três primeiros anos da atual administração. A pasta informou que foram adquiridas mais de 18 mil armas, 3,6 mil viaturas e 57,3 mil coletes, além da aplicação de R$ 327 milhões em obras estruturais. O programa Muralha Paulista, criado em 2024, já conecta mais de 125 mil câmeras de vigilância em diferentes regiões do Estado e, conforme a Secretaria, contribuiu para a captura de mais de 15 mil criminosos.

A pasta também afirmou que os indicadores criminais registraram queda em 2025, com redução de 3,1% nos homicídios, 22,2% nos latrocínios e 16,7% nos roubos em geral. Segundo a Secretaria, também houve diminuição nos casos de estupro, roubos e furtos de veículos e roubo de carga. Desde janeiro de 2023, de acordo com o órgão, mais de 722 toneladas de drogas foram apreendidas e mais de 43 mil armas ilegais retiradas de circulação.

Em relação à PEC da Segurança Pública, a Secretaria afirmou que o combate ao crime deve ocorrer de forma integrada, com coordenação institucional, respeito às competências de cada ente federativo e maior controle das rotas de abastecimento de organizações criminosas, especialmente em regiões de fronteira. A pasta acrescentou que o Estado de São Paulo já possui ações estruturadas e integradas alinhadas aos objetivos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mantendo diálogo permanente e cooperação institucional com o governo federal.

O Correio da Manhã também procurou a assessoria de Guilherme Derrite para comentar as declarações recentes, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.