Moradores, autoridades e entidades ambientais de Valinhos divulgaram uma nota de repúdio ontem, segunda-feira (22), por moradores, autoridades e entidades ambientais de Valinhos. O protesto é direcionado ao leilão da Fazenda Remonta, programado para o dia 1º de julho de 2026. O imóvel, situado na divisa com Campinas, pertence ao Fundo Habitacional do Exército, que pretende arrecadar R$ 90 milhões com a venda. A propriedade representa um dos últimos espaços verdes expressivos da região, com mais de 407 hectares.
Os manifestantes alegam que a urbanização do terreno causará severos impactos à biodiversidade, à proteção hídrica e ao fornecimento de água local e regional. Esta constitui a segunda tentativa de alienação da área. A primeira ocorreu em 2004, por meio de um acordo de permuta imobiliária que acabou contestado na Justiça.
Tombamento
O poder público de Valinhos agiu para salvaguardar a Gleba B do imóvel, conhecida como Coudelaria de Campinas, que possui 1,6 milhão de metros quadrados (162 hectares) e fica próxima ao Córrego Invernada e ao Anel Viário Magalhães Teixeira. No dia 16 de junho de 2026, o legislativo valinhense aprovou em caráter de urgência o tombamento da área por seu valor histórico, cultural, paisagístico e ambiental. A lei foi sancionada na última sexta-feira (19) pelo prefeito Franklin Duarte de Lima.
A nova legislação proíbe intervenções que descaracterizem o local, vetando supressão de plantas, parcelamento do solo e aterro de mananciais, além de impor diretrizes de drenagem ligadas ao programa Reconecta Valinhos. Previamente, em 1º de janeiro de 2025, o prefeito já havia suspendido decretos para fins imobiliários no local, esperando-se agora inviabilizar o leilão.
Importância ecológica
Cerca de 41,5% da fazenda é coberta por Floresta Estacional Semidecidual Montana, bioma original da Mata Atlântica que abriga espécies sob risco de extinção. Cientistas registraram no local ao menos 50 espécies nativas e animais como jaguatiricas, cachorros-do-mato, cutias e seriemas. A vegetação atua como um corredor ecológico integrado à Estação Ecológica de Valinhos e à Floresta Estadual Serra D'Água.
Inserida Bacia Hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a fazenda influencia as microbacias dos córregos Invernada e Piçarrão. O solo preservado garante a infiltração pluvial, abastece aquíferos e previne enchentes e erosões, funcionando como um regulador climático e barreira contra a conurbação desordenada entre Campinas e Valinhos.
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