Região de Sorocaba

Justiça barra obra na Marginal do Rio Sorocaba por impactos

Para professor da Unesp, obra repete erros de São Paulo em áreas de rio.

Justiça barra obra na Marginal do Rio Sorocaba por impactos
Justiça suspende obras na Marginal do Rio Sorocaba por risco Crédito: Cortesia / Rodrigo Motox

A Justiça Federal determinou a paralisação das obras na Marginal Direita do Rio Sorocaba e suspendeu as licenças ambientais emitidas pela Cetesb para a construção da avenida. A decisão é da juíza Raquel Alice Zilli Cavalcante, da 1ª Vara Federal de Sorocaba, que fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A ordem abrange a Prefeitura e as empresas Fortnort e Audieterra. Também foram proibidas a remoção de vegetação nativa ou exótica, o corte de árvores, terraplanagem e pavimentação asfáltica.

O professor da Unesp William Dantas Vichete comentou os impactos da obra. Para ele, embora os trâmites administrativos sigam a lei, o aspecto ambiental é preocupante: "A gente tem que olhar que essa marginal está sendo construída dentro da várzea, colocando uma via pública dentro de um leito maior do rio, e que quando tem um período de chuvas esse leito é ocupado pelas águas."

Segundo o especialista, a intervenção causará cheias previsíveis no local, gerando perdas ambientais graves: "A várzea é um elemento importante para a vida do rio, do curso da água; ela é um estabilizador de sedimentos, um habitat para diversas espécies que ali vivem, servindo de comida para outras espécies e de local para se proteger. E quando a gente coloca a rodovia ali no local, que chamamos de 'zona ripária', a gente perde a transição entre o rio e a sua proteção lateral com o ambiente urbano", explica.

William destaca ainda os prejuízos à regulação do rio e compara a obra ao histórico de São Paulo: "Tirando o volume de amortecimento, a gente retira habitat de espécies e comunidades e tira a transição mais apropriada entre a zona aquática e a zona urbana."

Ele conclui alertando para falhas conhecidas de planejamento: "Diversas avenidas foram construídas às margens de rios como Tietê, Pinheiros, Aricanduva e Avenida do Estado, e quando chove essas áreas se tornam vulneráveis a enchentes, o que acontece todo ano em São Paulo. Ou seja, a gente está repetindo um erro de planejamento e execução que a gente sabe que é um modelo que tem falhas e que terá falhas no futuro."

A Companhia Ambiental do Estado SP informou, que ainda não foi oficialmente notificada da decisão judicial.