O avanço das tecnologias digitais e o uso cada vez mais frequente da internet por estudantes têm transformado a realidade das salas de aula e ampliado os desafios da educação básica. Pensando nesse cenário, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação promoveu, entre os dias 6 e 8 de maio, o III Simpósio Brasileiro de Computação na Educação Básica (SBC-EB), reunindo professores, pesquisadores e estudantes de diferentes cidades e redes de ensino.
O encontro discutiu caminhos para inserir a computação no ensino básico de forma crítica e pedagógica, indo além do simples uso de computadores e internet em sala de aula. Segundo a professora Lina Garcés, uma das coordenadoras do evento, "ensinar computação é ensinar a resolver problemas. Esses problemas requerem um pensamento sistemático, de aplicação de técnicas, como o pensamento computacional".
Além da lógica computacional, o debate envolveu segurança digital, inteligência artificial, proteção de dados, combate à desinformação e o uso consciente das tecnologias. Lina também destacou que a escola tem papel importante na formação crítica dos alunos: "Os estudantes precisam compreender como as tecnologias funcionam, como usar a internet de forma segura, evitar golpes, não cair em fake news e proteger seus dados".
Um dos destaques do simpósio foi a participação de professoras e alunas do Centro de Inclusão Digital de Araçariguama, que apresentaram experiências desenvolvidas em parceria com o instituto. O projeto envolve ações ligadas à programação e à participação de meninas em competições de tecnologia, como a Technovation Girls.
Segundo a diretora do centro, Valéria Santiago dos Santos Duarte, cerca de 100 meninas já participaram das atividades desde 2025. "Hoje, trouxemos nossas quatro equipes de 2026 para conhecer a USP, que é o sonho de qualquer menina, para apresentar nossas experiências e resultados", afirmou.
Desafios nas escolas
Apesar dos avanços, professores apontaram dificuldades para implementar o ensino de computação na educação básica. Entre os principais desafios estão a falta de equipamentos, materiais e formação específica para docentes.
O evento também contou com debates sobre colonialismo digital, inteligência artificial e soberania tecnológica, além da participação de estudantes do Profcomp, primeiro mestrado profissional em ensino de computação oferecido em rede nacional.