A Pílula Lilás

Bruna Drews lança livro com relato de assédio e reflexão feminista

A obra parte de uma denúncia real para discutir violência de gênero e os mecanismos que moldam a vida das mulheres

Bruna Drews lança livro com relato de assédio e reflexão feminista
Bruna Drews, autora de 'A Pílula Lilás' Crédito: Divulgação

Livro reúne bastidores da TV e experiência pessoal

Com mais de 15 anos de carreira no jornalismo, Bruna Drews apresenta em A Pílula Lilás ( Editora Labrador) episódios vividos nos bastidores do telejornalismo brasileiro e reportagens que marcaram sua trajetória, especialmente coberturas de feminicídio e violência doméstica. A obra também nasce de uma experiência pessoal que a autora decidiu transformar em reflexão pública.

Bruna conta que sofreu assédio sexual de um apresentador de televisão em 2018, durante uma confraternização da emissora onde trabalhava. Segundo ela, comentários sobre o corpo e situações constrangedoras eram recorrentes no ambiente profissional, até que o episódio a levou a denunciar o caso. A repercussão foi intensa, mas a denúncia acabou arquivada por uma questão processual.

Denúncia arquivada e impacto nas redes sociais

Embora a notícia-crime tenha sido apresentada dentro do prazo legal, o protocolo ocorreu dias depois do limite previsto, o que levou o Ministério Público a pedir a extinção da punibilidade. Sem investigação, o caso foi encerrado sem depoimentos de testemunhas. Após a exposição nacional, Bruna também passou a ser alvo de insultos e ameaças nas redes sociais.

O episódio se tornou um ponto central do livro porque, além da violência em si, evidencia como mulheres podem ser silenciadas mesmo quando tentam denunciar. A autora relaciona sua experiência à rotina de muitas profissionais que, para seguir trabalhando, acabam suportando comentários abusivos e situações de constrangimento.

Uma inversão da metáfora da red pill

O título A Pílula Lilás surge como resposta à metáfora da red pill, usada por grupos masculinistas para afirmar uma suposta revelação sobre relações entre homens e mulheres. Bruna propõe o caminho inverso: imaginar uma ruptura com as narrativas que moldam o modo como mulheres são ensinadas a ver o próprio corpo, seus desejos e suas escolhas.

A obra também dialoga com nomes da psicologia e do pensamento feminista, entre eles Carl Jung, Simone de Beauvoir, Naomi Wolf, Clarissa Pinkola Estés e Marcia Tiburi. A partir dessas referências, o livro investiga mecanismos sociais, culturais e psicológicos que influenciam a identidade feminina e ajudam a explicar a permanência da violência de gênero.