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Majestoso: palco de manifestações de amor e rivalidade

Confrontos violentos entre as torcidas e corrupção interna fragilizam a "Macaca"

Majestoso: palco de manifestações de amor e rivalidade
Arquibancada: estádio enfrenta o desafio de preservar a estrutura histórica e atender às exigências do futebol moderno Crédito: Firmino Piton/PMC

O Majestoso, Estádio da Ponte Preta em Campinas também foi uma fábrica de jogadores que ultrapassaram as fronteiras da cidade. A dupla Oscar e Polozzi talvez seja o maior símbolo dessa geração. Formados na agremiação, tornaram-se uma das principais duplas de zaga do futebol brasileiro.

Oscar foi titular da Seleção na Copa do Mundo de 1978 e disputou também os Mundiais de 1982 e 1986. Polozzi integrou a delegação brasileira na Copa de 1978. Naquele Mundial da Argentina, a Ponte teve ainda o goleiro Carlos Gallo, fazendo do clube campineiro uma presença significativa na Seleção.

Outro nome inseparável da história do estádio é Dicá. Meia habilidoso e um dos maiores ídolos da Ponte, permaneceu no clube durante praticamente duas décadas, entre 1967 e 1986. É apontado como o maior artilheiro da história do Majestoso, com 82 gols.

Seu nome se confunde com a própria memória do estádio numa época em que os jogadores podiam construir uma relação muito mais longa com o clube e a cidade.

Décadas após, Luís Fabiano chegou às categorias de base da Ponte ainda adolescente e explodiu na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1998. O menino, chamado simplesmente de Fabiano, tornou-se profissional, passou pelo Rennes, Porto e Sevilla, brilhou no São Paulo e chegou à Seleção Brasileira.

O atacante retornaria diversas vezes à casa onde começou, inclusive para encerrar a carreira e, posteriormente, exercer uma função de dirigente no clube que o revelou.

A lista de jogadores marcantes que passaram pelo Majestoso é extensa. No entanto, a história do Majestoso não é construída apenas de glórias. Como em qualquer grande estádio de futebol, ele também vivenciou episódios de violência, conflitos, problemas de segurança, corrupção e disputas internas de poder.

Um dos capítulos mais graves ocorreu em agosto de 1999, durante um dérbi Ponte e Guarani. O confronto entre os torcedores terminou com 58 pessoas feridas, 40 torcedores e 18 policiais militares, colocando em pauta a segurança do estádio e a condução do policiamento.

Em 2013, a Federação Paulista de Futebol interditou temporariamente o local após detectar falhas relacionadas à segurança, entre elas a precariedade no monitoramento dos torcedores durante as partidas.

O patrimônio, entretanto, chegou ao século XXI enfrentando um enorme desafio: preservar a sua estrutura histórica sem deixar de atender às exigências econômicas e operacionais do futebol moderno. O Moisés Lucarelli é tombado desde 2011.

Essa proteção reconhece o seu valor histórico e arquitetônico, mas impõe limitações e responsabilidades relativas a uma construção muito antiga e de outra época.

Em 2026, esse debate ganhou dimensão. A Ponte avançou no processo de constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em julho, o clube anunciou ter firmado um Termo de Compromisso e Investimento com um grupo empresarial, afirmando que a operação poderia envolver a solução do passivo do clube e investimentos na modernização de seus ativos e infraestrutura esportiva. Em agosto, os associados foram convocados para deliberar sobre a constituição da SAF.

O desafio é o de preservar o patrimônio construído há quase oito décadas sem transformá-lo em uma peça de museu e, ainda, sem permitir que sua modernização apague aquilo que o torna único.

O Majestoso permanece de pé não porque foi erguido com cimento e tijolos, mas por uma razão maior, há quase oito décadas, Campinas continua entrando em campo com ele.