Da Redação
Há exatas duas décadas, a música brasileira ganhava uma lufada de ar fresco com o lançamento do álbum homônimo de estreia de Maria do Céu Whitaker Poças, conhecida artisticamente apenas como Céu. Nascida em São Paulo em 1980, filha do maestro e compositor Edgard Poças e da artista plástica Carolina Whitaker, a artista construiu uma carreira singular que redefiniu os contornos da MPB ao injetar influências do reggae, do samba, do hip hop e da música eletrônica. Agora, consolidada como uma das vozes mais originais de sua geração, a cantora retorna às origens com a turnê comemorativa "Céu 20 Anos", que desembarca no Sesc Campinas no dia 31 de outubro de 2026, às 19h, no Espaço Multiuso.
O espetáculo promete ser uma viagem afetiva e sonora pelo repertório que colocou o nome de Céu no mapa da música global. No palco, a artista revisita faixas icônicas que marcaram época, como "Malemolência" (consagrada na trilha sonora da novela Beleza Pura, da Rede Globo), "Lenda" (de Pé na Jaca) e "10 Contados", além de contemplar outros momentos emblemáticos de sua discografia. Mais do que um mero apanhado nostálgico, a apresentação une passado e presente, traduzindo em arranjos renovados a maturidade artística acumulada ao longo de uma trajetória coroada por prêmios e respeito internacional.
Trajetória de vanguarda e projeção global
A jornada de Céu até os palcos é marcada por contornos singulares. Aos 17 anos, morou em Nova York, onde trabalhou em funções diversas — de garçonete a faxineira — antes de cruzar com o músico Antonio Pinto (seu primo distante), parceria fundamental para a produção do primeiro disco, lançado em 2005 pelos selos Urban Jungle e Ambulante Discos. O impacto foi imediato: o álbum rompeu fronteiras e alcançou a 57.ª posição na prestigiada parada Billboard 200 nos Estados Unidos, um feito raríssimo para uma artista brasileira, além de conquistar espaço na série Starbucks Hear Music Debut.
O reconhecimento internacional abriu portas para uma carreira prolífica. Em 2009, o segundo disco, Vagarosa, a consagrou perante a crítica estrangeira e lhe garantiu menção na revista Época entre os 100 brasileiros mais influentes. Anos mais tarde, em 2016, veio o aclamado Tropix, obra-prima que lhe rendeu dois troféus no Grammy Latino, consolidando sua versatilidade estética repleta de referências urbanas e visuais marcantes. A sequência de sucessos seguiu com APKÁ (2019), premiado no Grammy Latino, e o recente Novela (2024), eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como um dos 50 melhores álbuns do ano e indicado ao Prêmio da Música Brasileira de 2025.
No Sesc Campinas, o público terá a oportunidade de vivenciar de perto a força cênica dessa artista que transita com naturalidade entre o orgânico e o sintético, o regional e o cosmopolita. Com duração estimada de 90 minutos, o show propõe uma imersão profunda na sensibilidade poética de Céu, reafirmando a força criativa de uma discografia que continua a dialogar intensamente com o tempo presente.
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