Por Moara Semeghini
O Lume Teatro, sediado no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, apresenta neste fim de semana uma programação de espetáculos gratuitos aberta à comunidade.
As atrações ocorrem de sexta-feira a domingo (21 a 23 de agosto), sempre às 20h, como parte da iniciativa "Lume em Casa". As atividades integram as comemorações dos 60 anos da Unicamp e o projeto Palco DCult, promovido pela Diretoria de Cultura (DCult) da universidade. A agenda cultural acontece em um momento festivo para o grupo, que acaba de conquistar o Prêmio Governador do Estado de São Paulo 2026 na categoria Teatro.
A programação começa na sexta-feira (21) com a ação artística em processo "Autopsiar um Nome", interpretada por Junior Romanini. Transitando entre a performance e a linguagem cênica, a montagem parte do gesto de desconstruir o próprio nome para expor camadas afetivas, históricas e políticas presentes nas formas de identificação. O trabalho resulta de uma pesquisa de pós-doutorado desenvolvida junto ao Lume e ao Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA/ISCTE-IUL), de Lisboa, com apoio da Fapesp. Com direção de Romanini e dramaturgia de Diego Marques e Cassiano Sydow Quilici, a apresentação tem duração de 45 minutos, indicação etária de 16 anos e contará com interpretação em Libras.
No sábado e domingo (22 e 23), o palco recebe o espetáculo "Spirulina em Spathódea", solo da atriz e palhaça Silvia Leblon, sob direção de Ricardo Puccetti. Na obra, a personagem revela gradualmente seu universo íntimo a partir de um cesto de bagagens, convidando o público a participar de sua lógica pessoal ao abordar temas como finitude, desejos e renascimento. A montagem, que recebeu prêmios expressivos em festivais nacionais, como Melhor Espetáculo Adulto, Atriz e Direção, utiliza o jogo da palhaçaria e o improviso para interagir com o espaço e com a plateia.
A realização das apresentações coincide com a recente premiação do núcleo de pesquisas. No dia 29 de julho, o Lume foi anunciado como vencedor do Prêmio Governador do Estado de São Paulo 2026 pelo projeto "Terra Lume - Mostra Cultural do Lume Teatro". A iniciativa, voltada ao intercâmbio, formação e difusão das artes cênicas, destacou-se em uma cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, que contemplou 13 categorias da produção artística do estado.
Para Jesser de Souza, ator, pesquisador e coordenador de comunicação do grupo, o prêmio ganha relevância especial ao coincidir com os 40 anos de trajetória do Lume e com a retomada da circulação do espetáculo Kintsugi - 100 memórias. Souza destaca que o reconhecimento reforça a consolidação da sede em Barão Geraldo como um espaço contínuo de formação e difusão, além de celebrar a descentralização dos incentivos culturais paulistas. "Há uma mudança no pensamento da função da arte para a sociedade, e ela tem que ser descentralizada mesmo. Esse reconhecimento tem que ser distribuído ao longo do estado", avalia. O grupo também concorre nesta edição ao Prêmio Shell em uma categoria especial alusiva às suas quatro décadas de atuação.
Fundado em 1985 como Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp, o Lume tornou-se referência internacional na investigação sobre a arte do ator e a presença cênica. Ao longo de sua história, o coletivo já se apresentou em mais de 30 países e construiu um repertório diversificado de produções experimentais e acadêmicas, tendo conquistado também o Prêmio Shell em 2013 por sua pesquisa continuada.
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