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Ao contrário de Campinas, SP deixa de usar plano de 40 anos e opera com frota reduzida no 2º turno

Ao contrário de Campinas, SP deixa de usar plano de 40 anos e opera com frota reduzida no 2º turno
Determinação da Justiça Eleitoral estabelecia uso de 100% da frota operacional de dias úteis, sob pena de multa diária individual de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) Crédito: Prefeitura de São Paulo

Ao contrário de Campinas, que disponibilizou 100% da frota no domingo, no segundo turno das eleições (25), a capital paulista não o fez, mesmo dispondo de um plano de contingenciamento há 40 anos, surpreendendo especialistas em mobilidade urbana. 

São Paulo não colocou a totalidade da frota nas ruas, contrariando a recomendação de oferta máxima, gerando questionamentos devido ao histórico do município, que conta há cerca de quatro décadas com o Paese (Plano de Atuação em Situações de Emergência), protocolo desenvolvido para suprir interrupções no sistema decorrentes de falhas elétricas, descarrilamentos ou alagamentos, redirecionando coletivos para cobrir trechos paralisados.

"Causou muito espanto essa expertise não ser utilizada para a questão das eleições. O Paese é uma estratégia que rapidamente é colocada em operação. No caso das eleições, sabia-se há meses que haveria segundo turno. Era um cenário conhecido e  houve tempo suficiente para montar uma estratégia", informa o mestre em planejamento urbano Ayrton Camargo e Silva, ex-presidente da Emdec (autarquia responsável pelo transporte público de Campinas) e diretor da AEAMESP (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô).

O outro lado

A Prefeitura de São Paulo declarou à Justiça Eleitoral que convocou as concessionárias de ônibus em duas ocasiões para intensificar a frota. Diz que atendeu completamente a ordem judicial de operar com o total de veículos de dias úteis e solicita a isenção de sanções financeiras (leia-se multa ao prefeito). 

Ainda de acordo com a prefeitura, o posicionamento foi protocolado no fim da tarde de domingo (25) após registros de demoras e representação do PT, que indicava circulação de apenas 60% dos veículos, além de relatos de passageiros com esperas acima de uma hora. 

A determinação da Justiça Eleitoral estabelecia uso de 100% da frota operacional de dias úteis, sob pena de multa diária individual de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A administração informou ainda que contactou as empresas no sábado (24) à tarde e expediu nova convocação no domingo (25). As orientações incluíam frota regular de dias úteis e reserva técnica mínima de 10% para atender terminais e regiões periféricas das zonas Leste, Sul e Norte.

Entretanto, o documento enviado ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) não exibiu números consolidados de veículos por linha, quantidade de viagens efetuadas ou intervalos entre os ônibus.

A prefeitura rebateu as acusações de retenção deliberada de coletivos e justificou que a presença de frota em garagens ou veículos circulando com letreiro "Reservado" correspondia à organização de reserva técnica para trocas operacionais, reforço de linhas e deslocamentos estratégicos.

O tribunal encaminhou as justificativas para análise do Ministério Público, mas, até o fechamento desta reportagem, não emitiu uma nova decisão sobre o processo.

Diferencial

Em Campinas, a Emdec e a Secretaria de Transportes (Setransp) determinaram a extensão da operação especial no transporte coletivo enquanto houvesse demanda. A isenção da tarifa e a frota ampliada, previstas para o período das 6h às 19h, seguiram após às 19h, cumprindo as orientações do Supremo Tribunal Eleitoral (STF).

O embarque dos passageiros ocorreu pelas portas traseiras dos veículos. Nos terminais fechados, o acesso sem o Bilhete Único ocorreu pelas catracas laterais de portão baixo nas estações BRT e pelos portões laterais nos terminais Central e Mercado.

A frota em circulação em Campinas equivalente à de dias úteis nos horários de entrepicos atendeu os usuários, com todas as linhas em circulação: 232, distribuídas em cerca de 900 ônibus.