Campinas

Militância de Campinas entra na onda do 'Tinder do Exército do Lula' no WhatsApp para paquera na esquerda

Militância de Campinas entra na onda do 'Tinder do Exército do Lula' no WhatsApp para paquera na esquerda
Militância de Campinas entra na onda do 'Tinder do Exército do Lula' no WhatsApp para paquera na esquerda Crédito: Reprodução Instagram / @namoro.gov.br

O Ministério do Namoro, que nunca foi criado por Lula (PT), nasceu de um meme na campanha em 2022 para presidente. No Dia dos Namorados de 2023, o presidente entrou na brincadeira e chegou a se desculpar por não ter cumprido a promessa de criar um ministério para os apaixonados.

Dias depois do 2º turno das Eleições 2026 que reelegeu Lula, o Ministério do Namoro ganhou vida nas redes sociais e foi batizado de Tinder do Exército do Lula. A militância colocou em prática a ideia por meio de um canal no WhatsApp que recruta solteiros de esquerda por código de área (DDD) com apenas uma missão: recrutar. Nesta quarta-feira (4) o canal já ultrapassou a marca de 100 mil participantes em todo o País. O perfil no Instagram namoro.gov.br.

A iniciativa começou tímida, dividindo grupos por grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No entanto, a alta demanda fez com que a organização expandisse rapidamente a cobertura para o interior paulista. O DDD 19 (que abrange Campinas e mais 72 municípios do Interior de São Paulo) ganhou uma sala exclusiva para paquera e debate político, transformando o aplicativo de mensagens em um grande ponto de encontro militante.

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Militância de Campinas entra na onda do 'Tinder do Exército do Lula' no WhatsApp para paquera na esquerda | Foto: Reprodução / Whatsapp

Dinâmicas com hora marcada

Para administrar a avalanche de novos integrantes, os organizadores criaram regras estritas de funcionamento. O canal oficial funciona em duas etapas: no feed principal, apenas a administração envia avisos e convites; a interação real fica restrita aos grupos regionais.

Para evitar o caos de milhares de mensagens simultâneas, as conversas são liberadas em horários específicos por blocos de DDDs. Na região de Campinas (DDD 19), a "janela da paquera" e das apresentações costuma ser aberta à noite, em dinâmicas que misturam trocadilhos revolucionários, memes e tentativas de match entre os "soldadinhos do amor".

“Só existe um ministério que, caso o Presidente Lula me ofereça, eu volto atrás na minha decisão de permanecer na Câmara: o Ministério do Namoro”. Figura central na estratégia de redes sociais que impulsionou a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026, que chamou a atenção inclusive fora do País, o deputado federal André Janones (Rede-MG) ajudou a impulsionar ainda mais o Ministério do Namoro ao comemorar no X que a promessa da criação da nova pasta se cumprirá no Lula 4.

Mesmo após recusar um cargo de ministro para continuar seu trabalho na Câmara dos Deputados, o parlamentar mineiro mantém sua forte capacidade de mobilização digital ao convocar a militância para uma live de celebração ao lado do presidente reeleito nesta quinta-feira (5), reforçando que o resultado das urnas é o momento de ir para cima e manter a extrema-direita "nas cordas".

O gargalo dos 1.024 e a possível invasão do Facebook

O sucesso do projeto, contudo, esbarrou em uma limitação técnica do próprio WhatsApp: o limite de 1.024 membros por grupo. Com convocações no estilo "Entre antes que ele lote!", a sala do DDD 19 e de várias outras regiões rapidamente atingiram a capacidade máxima, deixando centenas de solteiros locais na fila de espera.

Diante do gargalo, a administração do canal abriu uma consulta pública com os seguidores para discutir a migração ou expansão para os grupos do Facebook, ambiente onde não há limite de participantes e as apresentações podem ser organizadas por posts.

Com o humor ácido característico da rede, a própria organização provocou a militância na enquete: “Seria mais um território do bolsonarismo que invadiríamos? Já resgatamos a bandeira, a camisa amarela... só falta o Facebook”.

Apesar da resistência de parte dos usuários mais jovens que não possuem mais perfil na plataforma criada por Mark Zuckerberg, a mudança vem sendo estudada para garantir que ninguém do DDD 19 fique sem o seu "relacionamento companheiro".