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Campinas, SP e mais 10 capitais fazem atos contra a violência política e ataques a indígenas

Campinas, SP e mais 10 capitais fazem atos contra a violência política e ataques a indígenas
Ato em SP em repúdio à escalada de violência política e ataques a indígenas Crédito: @lucasport01 / Lucas Martins

Atos realizados neste domingo (1º) no Centro de Campinas e em capitais de ao menos 11 estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (DF), levaram às ruas manifestantes em repúdio à escalada de violência política pós-eleitoral e aos ataques direcionados a populações indígenas no País. 

Os protestos no País ganharam força após a ocorrência de vários episódios de violência política principalmente contra eleitores de Lula e indígenas. Em Campinas, a mobilização tomou as ruas impulsionada pela denúncia de uma abordagem armada sofrida por um estudante indígena da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no campus de Limeira (SP), fato que motivou a publicação de uma nota oficial de repúdio pela reitoria da instituição e o acionamento da Polícia Federal (PF) pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para investigar agressões em âmbito nacional.

O ato no Centro de Campinas transformou a celebração do resultado das urnas em um grande manifesto em defesa da vida e da integridade física dos povos originários. A linha de frente da caminhada foi conduzida por lideranças indígenas locais, pelo Coletivo de Estudantes Indígenas da Unicamp e pelas Acadêmicas Uirapuru, que pautaram o debate sobre direitos territoriais e o combate ao racismo.

De acordo com a psicóloga Luísa Monteiro de Barros Giovannetti, integrante do coletivo Juntos! e uma das organizadoras do Campinas Pela Democracia, movimento que articulou manifestações no município durante o segundo turno, a ida às ruas teve caráter de urgência social. "Foi uma manifestação completamente necessária e enriquecedora em defesa da vida dos povos indígenas, além de uma denúncia à violência política. O coletivo de estudantes indígenas da Unicamp e as acadêmicas Uirapuru, além de outras lideranças, protagonizaram a linha de frente do ato, em uma verdadeira aula acerca de suas lutas, direitos, culturas, reivindicações e terras. Celebramos a vitória de Lula de certa forma, mas foi muito mais sobre um repúdio à violência colonialista e política.", disse Luísa Giovannetti, organizadora do ato em Campinas.

O caso em Limeira e a resposta da Unicamp

A indignação da comunidade acadêmica teve como estopim o grave episódio registrado contra um aluno indígena da Unicamp matriculado em Limeira. O estudante retornava da faculdade no período noturno quando foi interceptado por dois homens em um veículo Pálio branco. Sob a ameaça de uma arma apontada para a cabeça, o jovem foi vítima de ofensas ligadas ao resultado das eleições presidenciais e de ameaças explícitas de morte.

O caso provocou reação imediata do Coletivo Acadêmicos Indígenas da Unicamp, entidade ligada à Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e à Faculdade de Tecnologia (FT), e da administração universitária.

Em nota emitida em 30 de outubro, a Reitoria da Unicamp condenou publicamente as agressões em Limeira, classificando qualquer ato de hostilidade ou discriminação como inaceitável. A universidade informou que está em contato com os órgãos de segurança pública para acompanhar as apurações e prestando assistência institucional aos alunos atingidos.

O coletivo estudantil orientou os alunos a evitarem deslocamentos isolados no período noturno, a utilizarem os canais de denúncia da universidade e a acionarem a Polícia Militar (190) em situações de emergência.

Dados da Apib e do Governo Federal

Os episódios no interior paulista não são isolados. Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), obtido pelo jornal O Globo, revela que o país contabilizou 40 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026, uma média de uma ocorrência a cada três dias. 

As agressões atingiram 30 etnias originárias em 35 territórios espalhados por 15 estados. O balanço do período eleitoral registra: sete homicídios e 11 ameaças de morte; 35 episódios de racismo e 18 agressões físicas; sete casos de violência de gênero.

No Mato Grosso do Sul, a tensão pós-pleito resultou no incêndio criminoso da casa e de objetos sagrados seculares de uma rezadeira Guarani Kaiowá de 90 anos, além de ameaças de envenenamento de água por servidores municipais na cidade de Tacuru.

Paralelamente, um balanço preliminar da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontou 45 episódios de violência política e atentados no país no contexto pós-eleitoral, somando 47 vítimas e 10 homicídios, dos quais três eram indígenas.

Força-tarefa e canais oficiais de atendimento

Diante do avanço dos conflitos, os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), em conjunto com a PF e o Ministério da Justiça, criaram uma força-tarefa interministerial para centralizar procedimentos investigativos e punir os responsáveis.

Para assegurar o correto direcionamento de denúncias de intimidação ou perseguição política, o Governo Federal orienta o uso dos seguintes canais ativos:

Disque 100: Central gratuita e 24 horas do Ministério dos Direitos Humanos para casos de perseguição e violência política.

Plataforma Fala.BR: Acessível via web pelo endereço falabr.cgu.gov.br.

Ouvidoria do MPI: Atendimento por e-mail ([email protected]) e pelos telefones (61) 2020-1278 e (61) 2020-1480.

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Ato no Centro de São Paulo neste domingo (1º) em repúdio à escalada de violência política pós-eleitoral e aos ataques direcionados a populações indígenas no País | Foto: @lucasport01 / Lucas Martins