calor extremo

Campinas cria alerta especial para ILPIs em dias de calor intenso

Novo protocolo vai orientar instituições de acolhimento de idosos com base na previsão de temperatura da região de cada unidade

Campinas cria alerta especial para ILPIs em dias de calor intenso
O modelo reproduz o que a Secretaria de Educação já faz com as escolas, que suspendem atividades ao ar livre quando há previsão de calor forte Crédito: Carlos Bassan

As instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) de Campinas vão passar a receber um alerta específico sempre que a Defesa Civil prever calor intenso na região onde estão localizadas. O novo fluxo foi apresentado em reunião entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, a Defesa Civil, a Secretaria Municipal de Saúde e representantes das entidades.

O aviso será disparado com base na estação meteorológica mais próxima de cada instituição, em um raio de cerca de dois quilômetros. Com isso, nem todas as unidades receberão o mesmo alerta ao mesmo tempo, já que as condições variam de acordo com a região monitorada.

Como funcionará o envio dos avisos

A Defesa Civil de Campinas trabalha com quatro níveis de boletins de alta temperatura: observação, a partir de 30°C; atenção, a partir de 32°C; alerta, a partir de 35°C; e alerta máximo, acima de 37°C. A cidade conta hoje com 35 estações meteorológicas que medem temperatura e umidade do ar em tempo real.

Na área social, o aviso chegará pela técnica de referência do serviço de calamidades e emergências, e depois será repassado às instituições pela equipe de Proteção Social Especial. O envio será feito por WhatsApp, com registro também por e-mail, seguindo modelo já usado pela Secretaria de Educação em situações de calor forte.

Cuidados com a saúde dos idosos

Segundo a Secretaria de Saúde, a pessoa idosa tem mais dificuldade para regular a própria temperatura e sente menos sede, o que acelera o risco de desidratação. Doenças crônicas e uso simultâneo de vários medicamentos aumentam ainda mais a vulnerabilidade nesse período.

As instituições receberam cinco orientações principais: oferecer água e outros líquidos várias vezes ao dia, manter os ambientes ventilados, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, acompanhar mais de perto pessoas frágeis ou acamadas e observar sinais como fraqueza, tontura, dor de cabeça, câimbras, sonolência, confusão e desmaio. Em caso de persistência dos sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico.

Orientação para equipes e canais de emergência

A equipe técnica também orientou sobre idosos que pedem cobertor mesmo no calor, situação que exige atenção para a temperatura corporal. Acima de 37°C, é preciso retirar parte das cobertas; acima de 40°C, a situação é considerada emergência.

As recomendações chegaram também aos trabalhadores das instituições, especialmente os que atuam em cozinhas, onde o uso de ventiladores pode ser limitado por normas sanitárias. Nesse caso, a orientação é fazer pausas de 10 a 15 minutos a cada 45 ou 50 minutos de trabalho, em local com conforto térmico.

Campinas também reforçou os canais de atendimento: qualquer pessoa pode receber alertas da Defesa Civil por SMS, enviando o CEP para 40199, ou pelo WhatsApp, no número (61) 2034-4611. Para emergências, o telefone da Defesa Civil é 199 e o SAMU atende pelo 192.

População idosa em Campinas

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que 18,4% da população de Campinas tem 60 anos ou mais, o equivalente a mais de 209 mil pessoas. A Operação Chuvas de Verão e Enfrentamento aos Efeitos do El Niño 2026/2027 já foi antecipada e segue até 31 de março de 2027.

Segundo a Defesa Civil, a cidade teve quatro alertas de onda de calor apenas em setembro, e a expectativa até o fim do verão é de alternância entre calor forte e chuva intensa. A ampliação do protocolo busca reduzir riscos para idosos e, em etapas futuras, deve alcançar abrigos de crianças e adolescentes, residências para pessoas com deficiência e o serviço de atendimento em domicílio.