A Unicamp e a Fundação Memorial da América Latina assinaram um termo de compromisso que garante à universidade o uso de um espaço de aproximadamente 450 metros quadrados no Memorial pelo prazo de 25 anos. A iniciativa marca a renovação de uma cooperação mais ampla entre as instituições, com foco no desenvolvimento de projetos conjuntos em São Paulo.
O acordo também reforça a presença da Unicamp em um centro cultural criado em 1989 a partir da concepção de Darcy Ribeiro e com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Segundo a universidade, a parceria tem importância estratégica para sua política de internacionalização e para a circulação de conhecimento entre países da região.
A iniciativa é parte da renovação de um amplo plano de cooperação entre a Unicamp e o Memorial, voltado ao desenvolvimento de projetos conjuntos. “Estamos assinando um termo que simboliza muito. Quando instituições com essa característica, com essa longevidade e, sobretudo, com projetos de Estado se encontram, a gente pode fazer muito”, destaca o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner.
O reitor aponta que a cooperação regional ocupa lugar de destaque na política de internacionalização da Universidade. A parceria com o Memorial, avalia, “contribui para estreitar esses vínculos e favorece a circulação de conhecimento entre os países da região”.
A pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, Sylvia Furegatti, explica que a cessão do espaço resulta de um processo de aproximação retomado após um período em que a pandemia havia esfriado o diálogo entre as instituições. A retomada coincidiu com o interesse do Memorial em fortalecer sua dimensão acadêmica. “Foi uma confluência de interesses acadêmicos, culturais, sociais e latino-americanos”, afirma.
A presença da Unicamp no Memorial já vinha se ampliando, inclusive com duas exposições recentes: uma dedicada ao trabalho do antropólogo Carlos Rodrigues Brandão e outra que reúne obras de artistas docentes do Instituto de Artes (IA). A cessão de uso dará continuidade a esse movimento e oferecerá uma base física para novas atividades. Segundo Furegatti, o espaço poderá receber reuniões, seminários e outras atividades acadêmicas, além de ensaios e pequenas apresentações de grupos das áreas de artes cênicas e dança.
Para a pró-reitora, a presença da Universidade no local tem um significado que vai além da instalação de uma estrutura física, já que o centro cultural abriga uma proposta que reafirma os vínculos entre os países latino-americanos. “Tenho dito que o melhor lugar que a Unicamp pode ocupar na capital de São Paulo, onde desejamos estar cada vez mais presentes, é o Memorial, pela representatividade do que aquele espaço arquitetônico conta para a cidade: essa convivência entre academia, cultura, ciência e conhecimento”, destaca.
Entre as iniciativas em perspectiva está a criação, a partir de 2027, de um curso que reunirá pesquisadores da Unicamp dedicados aos estudos latino-americanos. A proposta se soma a outras possibilidades de cooperação acadêmica, como a construção de uma cátedra em conjunto.
Recuperar a vocação acadêmica
Para o diretor-presidente da Fundação Memorial da América Latina, Pedro Machado Mastrobuono, a parceria com a Unicamp representa uma oportunidade de recuperar a dimensão acadêmica e intelectual da instituição, que, ao longo das últimas décadas, passou a ser associada principalmente à realização de shows e grandes eventos. “Essa parceria, de alguma maneira, ajuda a devolver ao Memorial a consciência de qual é o seu papel na sociedade”, afirma.
Segundo Mastrobuono, essa articulação perdeu intensidade ao longo dos anos, e a reaproximação com a Unicamp pode ajudar a recuperar o potencial de colaboração. O desafio ganha importância, na avaliação do dirigente, em um contexto de polarização política e social no Brasil, na América Latina e em outras partes do mundo. “Nesse cenário, o Memorial pode funcionar como um espaço de escuta e debate, aberto ao encontro entre diferentes perspectivas, onde as pessoas possam discutir de uma maneira consciente e livre”, completa.
Mastrobuono vê a Unicamp como uma parceira importante nesse processo, capaz de contribuir para essa articulação. “Essa parceria de 25 anos inclui a troca cultural, a circulação da arte e da cultura produzidas aqui e em outros espaços. O Memorial também convida a Unicamp a assumir um protagonismo ainda maior no diálogo com as universidades, inclusive as da América Latina. E esse diálogo deve acontecer dentro do próprio Memorial. Não queremos que ele funcione como um condomínio, em que cada universidade tenha o seu lote, mas como um espaço de encontro entre instituições”, completou.
A construção de redes de colaboração está no centro dos planos apresentados por Gabriel Dib Daud De Vuono, diretor do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), vinculado ao Memorial. Segundo ele, a parceria com a Unicamp inclui um plano de trabalho que tem como objetivo transformar o Memorial em um distrito acadêmico e científico latino-americano, reunindo universidades, centros de pesquisa e redes de diferentes países em um ambiente de cooperação.
A proposta, explicou De Vuono, não é apenas oferecer instalações para que cada instituição desenvolva suas atividades de forma independente, mas criar condições para o diálogo e a realização de projetos compartilhados. Nesse contexto, a Unicamp poderá contribuir para ações acadêmicas, intercâmbios artísticos e culturais e iniciativas voltadas aos estudos latino-americanos. “É, por um lado, um resgate da missão originária do Memorial, do projeto intelectual do Darcy Ribeiro, e, por outro, um projeto de futuro que vai se concretizando”, resume.
As informações são do Portal Unicamp unicamp.br
Menu