O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou um feito inédito na história política do País ao ser reeleito para o seu quarto mandato presidencial, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas urnas neste domingo (25). Com a vitória confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início da noite, apoiadores e militantes de Campinas tomaram o Largo do Pará, no Centro da cidade, transformando o local no epicentro das comemorações populares. Enquanto a militância celebrava, o candidato derrotado indicou que pretende contestar o resultado das urnas.
A mobilização no Largo do Pará, na esquina com a Avenida Aquidabã, começou ainda durante a apuração dos votos. A vereadora Fernanda Souto (PSOL) acompanhou o início da contagem junto à população e convocou os eleitores para as ruas desde o início da noite: "Campinas está acompanhando a apuração junta, em defesa da democracia. O lugar de acompanhar é com a gente", afirmou.
A vereadora e deputada estadual eleita, Mariana Conti (PSOL), celebrou a conquista ressaltando a intensidade do engajamento popular nas ruas. "Vencemos!! Uma vitória histórica conquistada nas ruas, na unha! Derrotamos os fascistas, as milícias, as Big Techs, as Bets e os empresários criminosos! Viva o Brasil! Viva a luta do povo brasileiro!!", comemorou.
Com a consolidação da virada e o anúncio oficial do TSE, a praça foi tomada por apoiadores vestindo vermelho e celebrando o "tetra" do presidente reeleito. A vitória repercutiu imediatamente entre parlamentares e lideranças da esquerda campineira. O vereador Wagner Romão (PT) comemorou o feito histórico em tom de desabafo: "É tetraaaaaa!!".
A vereadora Paolla Miguel (PT) destacou a força do engajamento popular durante o pleito. "Esse tetra é do Brasil, que se mobilizou e não deixou um bandido miliciano se tornar presidente deste país. Lula virou e venceu! Vitória da classe trabalhadora!", declarou.
Já a vereadora Guida Calixto (PT) reafirmou a capacidade de organização da população brasileira ao celebrar o resultado. "Jamais duvidem da capacidade da classe trabalhadora brasileira. Lula reeleito presidente do Brasil. Viramos!", destacou a parlamentar.
Gustavo Petta (PCdoB) classificou a conquista como um marco de resistência popular. "
Vitória histórica, graças a gente, graças a mobilização digital, graças ao povo na rua, os estudantes, a juventude que acreditou desde o primeiro dia, graças ao nosso engajamento, os nossos argumentos, a nossa busca dos votos indecisos, nós vencemos e nós vamos fazer um governo ainda melhor, um governo com a presença do povo nas ruas. Gente, é o momento mais emocionante da minha vida, eu estou muito feliz, nós estamos juntos, eu estou correndo para a Paulista, vai ter comemoração em Campinas, a madrugada vai ficar pequena e nós vamos comemorar muito e depois nós vamos ter muito trabalho para fazer um governo para os trabalhadores e para o povo do nosso país. Estamos juntos, que vitória, a vitória é nossa, nós acreditamos desde o começo, estamos juntos", convocou.
A festa no Largo do Pará coroou um final de semana de intensa mobilização progressista no município. No ato realizado no sábado (24), no Centro de Campinas, o militante Wandão já apontava o tamanho da adesão popular, classificando a caminhada como "sem dúvida nenhuma a maior manifestação democrática da história da nossa cidade".
Confusão sobre prorrogação de horário impede eleitores de votar em Campinas
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar o horário de votação até as 19h no segundo turno deste domingo (25) gerou um cenário de incerteza, frustração e portões fechados para eleitores em Campinas. O desencontro de orientações entre os tribunais e a falta de comunicação imediata nas seções resultou em cidadãos impedidos de exercer o direito ao voto no município.
O problema ganhou repercussão após a vereadora Fernanda Souto (PSOL) divulgar nas redes sociais um registro do impasse ocorrido no Colégio Progresso. No vídeo, um eleitor barrado na entrada protestava contra o impedimento: "Se abriram a seção no país todo, então eu vou votar", afirmou.
A confusão decorre do descompasso de orientações ao longo do final da tarde. Diversos mesários só tomaram conhecimento da prorrogação após o encerramento das urnas, momento em que o sistema já havia sido fechado.
Quase uma hora após a decisão do STF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a extensão até as 19h valia apenas para as seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos no momento da notificação.
Diante dos transtornos, a parlamentar cobrou explicações da Justiça Eleitoral e orientou os cidadãos atingidos. "Votar é um direito garantido pela Constituição. Nenhum eleitor em situação regular pode sair da seção sem votar e sem uma explicação clara. Exigimos que o TRE-SP esclareça o que aconteceu", destacou Fernanda Souto, reforçando que os afetados devem exigir o registro da ocorrência em ata e fazer a denúncia formal pelo aplicativo Pardal, do TSE.
Mudança de seções eleitorais pega eleitores de surpresa e gera transtorno em Campinas
Relatos indicam transferência de locais de votação no Centro da cidade; eleitores apontam falta de aviso prévio e preocupação com acessibilidade.
A alteração de locais de votação pegou eleitores de surpresa no Centro de Campinas neste domingo de eleição. Pessoas que votavam há anos nos mesmos prédios públicos relatam ter descoberto a transferência de suas seções apenas ao chegar às urnas.
É o caso da jornalista Maria Cristina de Souza Belluco, moradora da cidade. Eleitora tradicional do Colégio Carlos Gomes, localizado na Avenida Anchieta, ela compareceu ao local para votar na Seção 33 e foi informada de que havia sido transferida para o Colégio Sagrado Coração de Jesus (passando para a Seção 157 da Zona Eleitoral 423).
De acordo com o relato de Maria Cristina, a escola original apresentava fluxo tranquilo e boas condições físicas no momento da visita. "A vida inteira votei no Colégio Carlos Gomes. Quando cheguei para votar, minha seção havia sido mudada. O colégio estava em perfeita situação, sem filas, e mesmo assim fomos transferidos", afirmou.
Apesar do contratempo, a eleitora conseguiu se deslocar de carro até o novo endereço para registrar o voto. No entanto, ela alerta para as dificuldades que a mudança traz para outros cidadãos: "Eu estava de carro e consegui ir, mas a minha preocupação é com quem depende de transporte público ou tem mobilidade reduzida. Muitos acabam desanimando ou desistindo de votar devido a esses deslocamentos inesperados", destacou.
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