Campinas

Fim da jornada 6x1 foi conquista dos trabalhadores, assim como perdão de dívidas e novo teto do MEI, diz Alckmin em Campinas

Fim da jornada 6x1 foi conquista dos trabalhadores, assim como perdão de dívidas e novo teto do MEI, diz Alckmin em Campinas
Ao lado do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quarta (21), em Campinas (SP), que o fim da jornada 6x1representa uma grande conquista dos trabalhadores e trabalhadoras Crédito: Diogo Zacarias / Haddad

O vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quarta-feira (21), em Campinas (SP), que o fim da jornada 6x1 e a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, representam uma grande conquista dos trabalhadores e trabalhadoras. Em entrevista coletiva concedida pela manhã no Comitê do Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), Alckmin destacou que outras marcas do atual governo foram o perdão de dívidas e a ampliação do teto para os microempreendedores individuais (MEI).

“Você tem uma tendência a reduzir a jornada de trabalho no mundo inteiro. Eu, um dia desses, indo, Fernando, a Pindamonhangaba, era sábado, nove da noite, parei para tomar um café na beira da Rodovia Ayrton Senna, num restaurante. A moça que me serviu perguntou sobre o fim da escala 6x1 e a nova escala, a 5x2, com os dois dias de descanso”, relatou Alckmin.

“Aí ela me falou: ‘Eu posso trabalhar no sábado, posso trabalhar à noite, agora eu preciso de dois dias, porque eu não tenho empregada doméstica, eu tenho que cuidar da minha casa, eu não tenho babá, eu tenho dois filhos, eu preciso de dois dias’. Então, o mundo inteiro reduz a jornada de trabalho. Essa foi uma conquista dos trabalhadores, das trabalhadoras, especialmente das mulheres”, afirmou o vice-presidente.

Aposta no empreendedorismo e expansão do MEI

Outro ponto de destaque na entrevista foi o incentivo aos pequenos negócios. Alckmin lembrou que o Simples e o MEI foram criados em gestões anteriores do presidente Lula e que o movimento atual consiste em ampliar o alcance das faixas de faturamento.

O vice-presidente explicou que, conforme a lei sancionada, o novo limite anual de faturamento do MEI passará dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028.

“O mundo moderno tem muito empreendedor, não são nanos, nem micros, nem pequenos, são gigantes que carregam a economia no Brasil inteiro. Eu estive semana passada lá em Heliópolis, uma comunidade de 100 mil habitantes. Cada portinha é um empreendedor: manicure, cabeleireiro, barbeiro, lanchonete, venda de roupa, oficina. Então, isso vai impulsionar essa economia. Só na região de Campinas, nós temos mais de 120 mil MEIs. Esse é um impulso gigantesco ao pequeno empreendedor”, avaliou, lembrando que o teto do microempreendedor individual avança junto às faixas do micro e pequeno porte (que chegam a R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões, respectivamente).

Transporte gratuito aos finais de semana

Durante a conversa com a imprensa em Campinas, Alckmin também comentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional que prevê a gratuidade no transporte público aos finais de semana e feriados em todo o país.

Segundo o vice-presidente, a medida busca incentivar o lazer e a convivência familiar após a consolidação da nova escala de trabalho.

“Em relação à questão do transporte gratuito no fim de semana, o que o presidente Lula está fazendo? Uma coisa inteligente. Uma parte das emendas é para isso”, pontuou Alckmin. “Vamos usar bem as emendas, ajudar as pessoas no final de semana a poderem ter um lazer, poderem sair de casa, poderem ter uma atividade com a família. É uma medida correta e positiva”, concluiu.

Defesa da democracia e comparação de gestões

Questionado pela reportagem sobre os motivos que tornam importante a reeleição da chapa, Alckmin apontou a defesa da democracia como o primeiro e principal valor. Para ele, quem não acredita na democracia não deveria disputar eleições, reforçando que o poder pertence ao povo, que é quem elege e "deselege".

Segundo o vice-presidente, quem ouve mais, erra menos. “As ditaduras só ouvem os poderosos e os ricos. Não dá a menor bola para a população”, disse.

“Por outro lado, o Brasil avançou. A educação cresceu, a saúde cresceu, a proteção ao meio ambiente cresceu, a renda do trabalhador cresceu. O aposentado de um salário mínimo, que ficou quatro anos no governo Bolsonaro sem nenhum reajuste com ganho real, cresceu nesses últimos quatro anos. Então, é só a gente comparar que nós vamos ver que o Brasil tem que mudar, mas não para pior, não para andar para trás, não seguir a Argentina. O que houve na Argentina? Recessão, empresa fechando, desemprego e perda de salário. Nós precisamos fazer o PIB crescer e segurar a despesa, mas o PIB tem que crescer para poder melhorar a relação dívida-PIB”, argumentou.

Embate político e o sigilo de Flávio Bolsonaro

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) “está dando uma desculpa” diante do desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula protocolou na última terça-feira (20), no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um ofício para autorizar a quebra de seus próprios sigilos bancários, fiscais e telefônicos, e de sua família, desde que o senador faça o mesmo com seus dados.

Durante a passagem por Campinas, Alckmin defendeu que figuras públicas mantenham transparência absoluta sobre suas contas.

"Ele está dando uma desculpa, né? Aliás, eu defendo que quem se elege presidente não devia ter sigilo. Nem bancário, nem fiscal, nem telefônico. Vida pública é pública. Quem não quiser ter vida pública vai para o setor privado. Mas não dá para ter vida pública, ser candidato a presidente da República, não querer prestar contas", declarou o vice-presidente.

Alckmin continuou enumerando as cobranças feitas ao adversário: "Então, não presta conta dos 134 milhões do Banco Master. Agora tem outra denúncia, 14 milhões recebidos em conta. Depois tem outra conta, está preso esse advogado do INSS. Depois não presta contas da rachadinha, não presta contas de funcionário fantasma, não presta conta do Vorcaro. Não é possível. É desculpa, na realidade é dever de quem está na vida pública prestar contas à população, permanentemente", completou.

O desafio foi lançado originalmente por Lula durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (18), ocasião em que o candidato do PL evitou responder diretamente à proposta e mudou de assunto.

O que é rachadinha

A “rachadinha” é uma prática ilegal em que um agente público, como político ou assessor, obriga funcionários comissionados a devolver parte ou todo o salário recebido dos cofres públicos. O esquema também pode envolver funcionários fantasmas, que recebem remuneração pública sem exercer qualquer atividade.

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Ao lado do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quarta (21), em Campinas (SP), que o fim da jornada 6x1representa uma grande conquista dos trabalhadores e trabalhadoras | Foto: Diogo Zacarias / Haddad