A Secretaria de Saúde de Campinas, em parceria com o Gastrocentro da Unicamp e a Sociedade Brasileira de Endoscopia (Sobed), lançou a campanha Casa Segura, que se soma à iniciativa Fora Cáusticos. O foco é alertar famílias sobre os riscos de produtos químicos domésticos, pilhas e plantas tóxicas para crianças.
O tema ganhou destaque porque os acidentes com substâncias perigosas continuam ocorrendo com frequência no município. A proposta da campanha é ampliar a prevenção no dia a dia e orientar pais e responsáveis sobre como evitar situações que podem levar a intoxicações graves.
Casos em crianças seguem em alta
Desde 2020, Campinas registrou 954 casos de intoxicação acidental em crianças de até 12 anos. A maioria das vítimas tinha entre 1 e 4 anos, faixa etária em que a curiosidade e a mobilidade aumentam o risco de contato com produtos perigosos dentro de casa.
Entre as principais causas estão a ingestão acidental de medicamentos, responsável por 38,4% das ocorrências, e produtos de uso domiciliar, que somam 28,61%. Segundo os especialistas, muitos desses episódios poderiam ser evitados com medidas simples de proteção e armazenamento.
Os riscos dos produtos caústicos e de uso doméstico
De acordo com profissionais da área, a ingestão de substâncias cáusticas pode provocar queimaduras graves na boca, na língua, na garganta, no esôfago e no estômago. Em contato com a pele ou com os olhos, esses produtos podem causar lesões sérias, cicatrizes permanentes e até perda da visão.
Também há risco de edema das vias aéreas, o que dificulta a respiração. Em casos mais graves, o produto pode perfurar órgãos internos e exigir cirurgia de emergência, além de deixar sequelas permanentes, como estreitamento do esôfago e dificuldades para se alimentar.
O que fazer em caso de acidente
Os especialistas orientam que, se uma criança ingerir produto químico ou bateria, a família deve levá-la imediatamente ao serviço de emergência. Não se deve provocar vômito nem oferecer líquidos ou remédios caseiros, pois isso pode agravar a situação.
Quando possível, também é importante levar a embalagem da substância ingerida para ajudar no atendimento. O tempo é determinante nesses casos, e a busca rápida por assistência pode reduzir o risco de complicações graves.
Medidas de prevenção recomendadas
A campanha reforça cuidados básicos que fazem diferença dentro de casa. Os produtos de limpeza devem ser guardados nas embalagens originais, com tampas de trava de segurança, e nunca devem ser armazenados em garrafas PET. Tudo deve ficar trancado e fora do alcance das crianças.
Outra orientação é verificar brinquedos e eletrônicos em busca de baterias soltas, descartar pilhas usadas corretamente e ensinar as crianças de que produtos de limpeza não são brinquedos. A campanha também disponibiliza um hotsite com cartilha educativa e orientações para download.
Menu