Campinas

Campinas antecipa Operação Chuvas de Verão por causa dos efeitos do El Niño

Campinas acumulou 804 milímetros de chuva até setembro, alta de 29,8% em relação a 2025

Campinas antecipa Operação Chuvas de Verão por causa dos efeitos do El Niño
Campinas inicia a Operação Chuvas de Verão antecipada por causa dos efeitos previstos do fenômeno El Niño Crédito: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Campinas inicia nesta quarta-feira (14) a Operação Chuvas de Verão 2026/2027, antecipada por causa dos efeitos previstos do fenômeno El Niño. A ação reúne secretarias municipais e órgãos externos para prevenir riscos, monitorar as condições meteorológicas e agilizar o atendimento a ocorrências relacionadas às chuvas. O plano segue até 31 de março de 2027.

O decreto nº 24.684, de 13 de outubro, que estabelece as diretrizes da operação e institui o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil (PCPDC), foi publicado no Diário Oficial do Município desta quarta-feira. A medida havia sido anunciada pela Prefeitura na semana passada. 7

A antecipação ocorre em um período de volumes elevados de precipitação na cidade. Entre janeiro e setembro de 2026, Campinas acumulou 804 milímetros de chuva, 29,8% a mais que os 619 milímetros registrados nos mesmos meses de 2025.

Somente em setembro, o volume chegou a aproximadamente 322 milímetros, segundo dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp. O índice ficou 419% acima da média histórica para o mês, de 62 milímetros, e foi quase sete vezes superior aos 48 milímetros registrados em setembro do ano passado.

Nos primeiros 12 dias de outubro, o acumulado alcançou 139,2 milímetros, superando os 117 milímetros registrados durante todo o mês de outubro de 2025.

Chuva aumenta nº de buracos

O excesso de água também contribui para a deterioração do asfalto e o surgimento de buracos nas ruas. Segundo a Prefeitura, a chuva penetra em fissuras e trincas do pavimento, atinge as camadas de sustentação e compromete a estrutura da via. A passagem de veículos sobre o asfalto molhado agrava o desgaste.

O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, afirma que a cidade atravessa um período climático atípico. "Estamos passando por um período atípico relacionado ao clima. Tivemos uma alta nos índices de chuva na nossa cidade. Está sendo um período muito chuvoso. Praticamente não tivemos estiagem rigorosa este ano", disse.

As precipitações também dificultam a manutenção das vias. O serviço de tapa-buracos depende de condições adequadas de secagem para garantir a aderência da massa asfáltica e a compactação do material. Com umidade excessiva, o reparo pode perder resistência e apresentar novas falhas.

O secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, informa que as equipes realizam, em média, o reparo de 13 mil buracos por mês. Com o aumento das chuvas, a previsão é que a demanda dobre. Para acelerar o atendimento, a Prefeitura também utiliza cerca de 3 mil sacos de massa asfáltica fria para reparar pequenos danos. Durante a Operação Chuvas de Verão, a Defesa Civil utiliza estações meteorológicas para acompanhar índices como volume de chuva, umidade do ar, temperatura, velocidade e direção dos ventos e pressão atmosférica. Os dados são transmitidos automaticamente ao órgão e subsidiam decisões preventivas.

As informações podem orientar medidas como o fechamento de parques e unidades escolares, a verificação das condições das vias em conjunto com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e ações para reduzir os impactos das altas temperaturas. O plano também prevê o monitoramento de áreas de risco, a orientação da população e a mobilização de equipes para atendimento rápido em emergências.

Segundo Sidnei Furtado, a antecipação permite preparar os diferentes setores para agir diante das condições meteorológicas. A população pode comunicar ocorrências à Defesa Civil pelo telefone 199.