Campinas

Saldiva defende metrô e trem para saúde pública

Saldiva defende metrô e trem para saúde pública
Médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Saldiva Crédito: Aeamesp

O médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Saldiva, defendeu durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária a expansão do transporte sobre trilhos como parte do planejamento urbano e das políticas de saúde por reduzirem a poluição, o tempo gasto no trânsito e o sedentarismo, além de contribuir para a inclusão social.

A Semana é realizada anualmente pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP) cujo presidente é o urbanista Ayrton Camargo e Silva, ex-diretor da Emdec (autarquia municipal responsável pelo trânsito de Campinas).  

Saldiva também propôs mais participação da iniciativa privada no financiamento da expansão metroferroviária, citando o setor farmacêutico como possível parceiro, já que os benefícios do transporte sobre trilhos ultrapassam a mobilidade e têm reflexos sobre o sistema de saúde e a qualidade de vida.

“O sistema metroferroviário transcende o conceito de infraestrutura de transporte; ele é um pilar estrutural do planejamento urbano que, aliado a políticas de saúde, pode guiar as cidades rumo a um modelo de longevidade e humanização”, declara o médico.

O pesquisador relaciona a poluição do ar ao aumento de problemas respiratórios e cardiovasculares e afirma que o tempo perdido nos congestionamentos também interfere no sono, nas relações sociais e nos gastos das famílias com veículos.

Trilhos e habitação

Ainda de acordo com Saldiva, a expansão do metrô precisa ser acompanhada de políticas habitacionais para evitar que a valorização dos imóveis próximos às estações expulse moradores de menor renda.

“Não se pode aumentar o valor do solo a ponto de afastar as famílias de menor poder aquisitivo das regiões onde habitam. É essencial que prefeituras e governos garantam parcerias com o setor imobiliário e habitacional para prever moradias acessíveis a todas as classes sociais, transformando o metrô em um instrumento efetivo de inclusão e equidade, e não apenas de gentrificação”, pontua.

A participação privada em sistemas metroferroviários já ocorre em São Paulo por meio de modelos como os naming rights. A estação Saúde, da Linha 1-Azul, passou a se chamar Saúde–Ultrafarma em 2022, em contrato com duração prevista de dez anos.

Para Saldiva, porém, a parceria pode ir além da exploração comercial de nomes e alcançar investimentos em infraestrutura.

“O sistema metroferroviário transcende o conceito de infraestrutura de transporte; ele é um pilar estrutural do planejamento urbano que, aliado a políticas de saúde, pode guiar as cidades rumo a um modelo de longevidade e humanização”, defende.