“Campinas não é acaso.” Foi assim que Ana Cláudia Mendes, presidente-fundadora da Access, definiu a escolha da cidade para receber o investimento de R$ 5 milhões no maior centro de operações dedicado à economia criativa e estratégia de vendas por transmissões ao vivo do Brasil.
Em conversa com a reportagem, a executiva explicou que, em vez de centralizar a nova infraestrutura do setor no tradicional eixo da Faria Lima, na capital paulista, a empresa optou por fincar raízes no ecossistema de inovação do interior.
Segundo Ana Cláudia, a decisão foi estratégica e se baseia na presença da Unicamp, da PUC-Campinas, do próprio CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) e de dezenas de empresas de tecnologia na região. "Isso significa três coisas que o nosso negócio precisa: talento qualificado saindo das universidades, cultura de inovação instalada e infraestrutura de conectividade de ponta", afirmou à reportagem.
Nascida em Campinas em 2020, a Access está instalando a nova estrutura de mais de 1.200 metros quadrados diretamente no Polo de Tecnologia do CPQD. Para a fundadora, a escolha do local une a história da empresa à tradição de mais de 40 anos do centro em telecomunicações: "A Access nasceu em Campinas em 2020, então esse investimento é também um movimento de raiz: em vez de centralizar tudo no eixo Faria Lima/São Paulo, estamos trazendo a infraestrutura do live commerce para o interior. E o CPQD, especificamente, entra porque são mais de 40 anos de excelência em telecomunicações e conectividade. Sediar no Polo de Tecnologia do CPQD nos dá infraestrutura, credibilidade e proximidade com esse ecossistema num só lugar”, diz Ana Cláudia.
Fábrica de transmissões contínuas
Diferente de um estúdio de gravação tradicional, a estrutura foi projetada como uma operação comercial ininterrupta. O complexo abriga mais de 20 estúdios capazes de rodar transmissões de vendas simultâneas para grandes marcas nacionais. “É um centro de operações de live commerce: múltiplos estúdios rodando lives de venda em paralelo, com estrutura de controle, apoio técnico e ambiente de formação, não é um estúdio de gravação, é uma operação contínua ao vivo”, afirma.
Cada espaço conta com câmeras 4K, sistemas robóticos e cenografia adaptável. O destaque técnico é uma sala equipada com um painel de LED de 6 por 2,5 metros integrado a sistemas de inteligência artificial, capazes de recriar qualquer ambiente em tempo real, de uma cozinha a uma praia, sem a necessidade de cenários físicos.
"O estúdio tradicional grava e edita; a nossa operação transmite ao vivo para vender, de forma contínua e em escala. No comércio por vídeo, uma transmissão que cai é receita perdida na hora. Por isso, o investimento de R$ 5 milhões é para sustentar um complexo de operação e conectividade robusta que não pode parar", explicou a executiva. Segundo Ana, vender ao vivo não é improviso ou "talento natural", mas sim uma profissão técnica e estruturada.
Ela explica que existe um método para transformar uma pessoa comum ou um criador de conteúdo em um apresentador de vendas eficiente: “O profissional que apresenta a venda ao vivo é formado de etapas: primeiro a seleção; depois a capacitação em técnica de venda ao vivo, oratória, domínio da plataforma TikTok Shop, Shopee e leitura de métricas em tempo real. Na operação, cada apresentador roda em escala nos estúdios com o apoio dos nossos Creator Managers (gerente de criadores) que acompanham performance e qualidade das transmissões. É um modelo que já roda na Access e que agora ganha um espaço físico dedicado.
Meta de formar 20 mil novos profissionais
Além da tecnologia, a chegada do centro de operações busca impactar diretamente a economia e a geração de renda na região. A meta da empresa é capacitar e ajudar a monetizar cerca de 20 mil novos criadores de conteúdo e apresentadores de vendas ao vivo até o final de 2027.
O processo de formação desses profissionais inclui etapas de seleção, técnicas de oratória, estratégias de venda em tempo real e leitura de métricas nas principais plataformas digitais.
"O impacto principal é a criação de uma nova cadeia de trabalho e de renda no interior. Começamos escalando em Campinas para depois levar esse modelo ao restante do Brasil. Queremos mostrar que dá para construir uma operação de nível nacional a partir do interior", destacou Ana Cláudia.
Como participar
Para os moradores da região interessados em atuar como apresentadores nos estúdios, a empresa abriu inscrições permanentes. O cadastro de perfis pode ser feito por meio do formulário oficial de seleção (forms.gle/5ofySHseVJv1VdVN7). Após a triagem, os selecionados passam por capacitação antes de integrarem a grade de transmissões das marcas.
Já para empresas e marcas regionais, a estrutura estará disponível para plugar operações de vendas ao vivo com suporte técnico e operacional completo.
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