Campinas

Pai do termo microplásticos cobra políticas públicas e ação da indústria contra a poluição

Pai do termo microplásticos cobra políticas públicas e ação da indústria contra a poluição
O cientista Richard Thompson: os microplásticos estão no ar que respiramos, na água que bebemos e na comida que comemos Crédito: Lúcio Camargo/Unicamp

Pioneiro no estudo dos microplásticos e apontado como o pesquisador responsável por levar o termo ao radar da Academia e da imprensa global, Richard Thompson, professor de Biologia Marinha e diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, defende que o enfrentamento da poluição plástica precisa ir além da mudança de hábitos individuais. Para ele, é fundamental envolver a indústria na busca por alternativas mais sustentáveis e incentivar políticas públicas capazes de regulamentar e direcionar novas condutas.

Thompson é um dos conferencistas da “Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos”, iniciativa realizada na Unicamp em parceria com a UFSCar, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O evento acontece até o próximo dia 11 e busca ajudar estudantes a compreender um dos desafios ambientais mais urgentes da atualidade, a partir de uma perspectiva estruturada e fundamentada na ciência.

Com mais de 30 anos de pesquisa dedicada aos detritos encontrados, principalmente, nos oceanos, o pesquisador britânico é reconhecido por mapear a dimensão da presença dos plásticos e de seus impactos entre as mais diversas espécies e habitats do planeta.

“Minha equipe foi a primeira a descrever os microplásticos, há cerca de 20 anos, e desde então mostramos que eles literalmente contaminam nosso planeta, dos polos ao Equador, dos oceanos mais profundos até perto do cume do Monte Everest. Na verdade, os microplásticos estão agora no ar que respiramos, na água que bebemos e na comida que comemos”, alerta.

Segundo o professor, o objetivo não é acabar com a produção de plástico, mas enfrentar a poluição provocada por esses materiais. Sendo assim, a estratégia para uma reação efetiva ao problema passa pelo desenvolvimento de produtos mais seguros e sustentáveis, capazes de reduzir os impactos quando deixam de ser utilizados e passam a se degradar no ambiente. Essa abordagem desloca parte da responsabilidade do consumidor para os sistemas de produção. Para o pesquisador, não basta esperar que as pessoas mudem seus hábitos enquanto produtos continuam sendo fabricados sem considerar adequadamente seus impactos ambientais futuros. “Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento e no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”, aponta.

Thompson lembra que os chamados microplásticos devem ser entendidos como parte de um problema maior. A poluição plástica envolve desde objetos grandes, facilmente visíveis, até partículas cada vez menores, incluindo os nanoplásticos, que podem ser difíceis de detectar. Fragmentos maiores presentes no ambiente também podem se degradar e dar origem a partículas menores. Com isso, o pesquisador considera que a “invisibilidade” de parte dos microplásticos não é necessariamente o principal obstáculo para conscientizar a população. “As pessoas já reconhecem a poluição plástica a partir dos resíduos que conseguem ver e podem compreender que partículas menores também estão presentes no ar, na água e nos alimentos”, reforça.

Critérios

O professor comenta que, ao redor do planeta, há empresas preocupadas com a questão ambiental, mas observa que outras continuam priorizando a redução de custos e os lucros. Por isso, considera insuficiente confiar apenas nas forças de mercado para garantir produtos seguros e sustentáveis. “Não podemos depender do mercado livre para criar produtos que sejam automaticamente seguros para a sociedade e o ambiente. Por isso, políticas públicas são necessárias para estimular a inovação, estabelecer critérios de segurança e sustentabilidade e evitar que empresas que investem em produtos mais responsáveis sejam prejudicadas pela concorrência de alternativas mais baratas e menos sustentáveis”, ressalta.

Entre as medidas defendidas por Thompson, estão testes para verificar a segurança dos materiais, sistemas de identificação e rotulagem que permitam reconhecer produtos desenvolvidos segundo critérios mais sustentáveis e mecanismos capazes de incentivar empresas a investir em novas soluções.

Segundo o professor, o objetivo não é acabar com a produção de plástico, mas enfrentar a poluição provocada por esses materiais. Sendo assim, a estratégia para uma reação efetiva ao problema passa pelo desenvolvimento de produtos mais seguros e sustentáveis, capazes de reduzir os impactos quando deixam de ser utilizados e passam a se degradar no ambiente. Essa abordagem desloca parte da responsabilidade do consumidor para os sistemas de produção. Para o pesquisador, não basta esperar que as pessoas mudem seus hábitos enquanto produtos continuam sendo fabricados sem considerar adequadamente seus impactos ambientais futuros. “Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento e no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”, aponta.

Thompson lembra que os chamados microplásticos devem ser entendidos como parte de um problema maior. A poluição plástica envolve desde objetos grandes, facilmente visíveis, até partículas cada vez menores, incluindo os nanoplásticos, que podem ser difíceis de detectar. Fragmentos maiores presentes no ambiente também podem se degradar e dar origem a partículas menores. Com isso, o pesquisador considera que a “invisibilidade” de parte dos microplásticos não é necessariamente o principal obstáculo para conscientizar a população. “As pessoas já reconhecem a poluição plástica a partir dos resíduos que conseguem ver e podem compreender que partículas menores também estão presentes no ar, na água e nos alimentos”, reforça.

Critérios

O professor comenta que, ao redor do planeta, há empresas preocupadas com a questão ambiental, mas observa que outras continuam priorizando a redução de custos e os lucros. Por isso, considera insuficiente confiar apenas nas forças de mercado para garantir produtos seguros e sustentáveis. “Não podemos depender do mercado livre para criar produtos que sejam automaticamente seguros para a sociedade e o ambiente. Por isso, políticas públicas são necessárias para estimular a inovação, estabelecer critérios de segurança e sustentabilidade e evitar que empresas que investem em produtos mais responsáveis sejam prejudicadas pela concorrência de alternativas mais baratas e menos sustentáveis”, ressalta.

Entre as medidas defendidas por Thompson, estão testes para verificar a segurança dos materiais, sistemas de identificação e rotulagem que permitam reconhecer produtos desenvolvidos segundo critérios mais sustentáveis e mecanismos capazes de incentivar empresas a investir em novas soluções.

Espaço de colaboração

Nesta busca por soluções conjuntas e viáveis social e economicamente, o pesquisador britânico aponta a estrutura encontrada na Unicamp e a realização da ESPCA como exemplos da importância da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para se chegar a um ganho em comum para a sociedade. Thompson diz estar impressionado com o campus de Campinas, os laboratórios e a capacidade da Universidade de reunir pesquisadores de diferentes especialidades. Para ele, questões ambientais complexas exigem a integração de áreas como química, biologia, ciências ambientais e ciências sociais. Espaços que permitam essa interação, como o da Universidade, contribuem para a formação de comunidades científicas mais atuantes e para a busca de soluções inovadoras.

125 pesquisadores

A “ESPCA em Microplásticos” reúne 125 pesquisadores de 35 países – 75 brasileiros e 50 estrangeiros –, selecionados entre 1.103 inscritos. A programação inclui palestras, aulas teóricas e práticas, apresentações de trabalhos, desenvolvimento de projetos e atividades no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Coordenadora da escola, a professora Cassiana Carolina Montagner, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, destaca que o estudo dos microplásticos envolve diferentes áreas, como química, ciências sociais, monitoramento ambiental e avaliação dos efeitos sobre organismos. Além de tratarem sobre os impactos ambientais e de saúde, os pesquisadores envolvidos acreditam que os resultados científicos obtidos podem contribuir para a criação de políticas públicas, regulamentação internacional e desenvolvimento de materiais mais sustentáveis.

O professor Walter Waldman, da UFSCar, que também responde pela coordenação do evento, lembra que aproximar os resultados das pesquisas acadêmicas da sociedade em geral é fundamental para fortalecer o enfrentamento dos desafios impostos pela poluição plástica.

As informações são do portal unicamp.br