Campinas

Reforma tributária pode ameaçar autonomia fiscal de Campinas, diz relatório da Câmara

Reforma tributária pode ameaçar autonomia fiscal de Campinas, diz relatório da Câmara
Apresentação do relatório final da comissão especial de estudos Crédito: Álvaro Jr./ Câmara Municipal de Campinas

A reforma tributária poderá reduzir a autonomia fiscal de Campinas e provocar oscilações na arrecadação durante a transição para o novo sistema de impostos. O alerta é do relatório final da Comissão Especial de Estudos sobre a Reforma Tributária da Câmara.

O principal ponto abordado é a substituição gradual do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), cobrado pelos municípios, pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

O relatório explica que não se trata apenas da troca de um imposto por outro. O novo modelo também mudará a forma como as receitas são arrecadadas e distribuídas. Isso porque a gestão do IBS ficará a cargo de um Comitê Gestor.

Na prática, os municípios terão menos controle direto sobre a arrecadação. Por isso, a comissão aponta incertezas sobre os critérios de divisão dos recursos e os efeitos da transição.

O documento aponta, entretanto, que Campinas também poderá se beneficiar com a mudança já que o município tem mercado consumidor relevante e economia diversificada, com serviços, tecnologia, comércio, indústria, inovação e logística.

Como o IBS seguirá o princípio da tributação no destino, a receita tende a ser relacionada ao local onde ocorre o consumo e esse perfil pode favorecer Campinas. Mas, o resultado dependerá da distribuição dos recursos entre os municípios.

Durante a transição, a arrecadação poderá variar e os efeitos serão diferentes entre os setores da economia. Por isso, a comissão recomenda que Campinas se prepare para esses cenários.

Entre as medidas sugeridas estão a modernização dos sistemas da prefeitura, a integração de dados ao Comitê Gestor do IBS, investimentos em inteligência fiscal e capacitação dos servidores da Secretaria de Finanças. A comissão também defende a revisão das leis tributárias municipais.

O documento recomenda ainda que Campinas participe de articulações da Frente Nacional de Prefeitos para defender a autonomia municipal e discutir a distribuição do IBS e os fundos de compensação.

Também propõe ampliar o atendimento e a educação fiscal e a competitividade de micro e pequenas empresas. Com 111 páginas, o relatório será encaminhado ao prefeito Dário Saadi (Republicanos) para avaliação.

É assinado pelo presidente da Comissão, Luis Yabiku (Republicanos); pelo relator Nick Schneider (PL); e pelos demais membros, Carlinhos Camelô (PSB) e Wagner Romão (PT).

De acordo com Yabiku, “o relatório reconhece a reforma como uma transformação profunda e inevitável, com riscos reais de perda de receita e autonomia para Campinas, mas recomenda uma postura nova: planejamento, modernização, capacitação e defesa institucional para transformar a transição em oportunidade.”

Já o secretário municipal de finanças, Aurílio Caiado, pontua: "pela primeira vez vai existir um ente que não é da União, nem do Estado, nem de nenhum município — o Comitê Gestor — e, para ele funcionar, vai ter que haver cooperação entre estados e municípios".