Campinas

Sistema Cantareira segue na faixa de alerta em setembro; medida afeta Campinas e a Grande SP

Sistema Cantareira segue na faixa de alerta em setembro; medida afeta Campinas e a Grande SP
Sistema Cantareira é formado por seis reservatórios em SP e MG Crédito: Alesp/Sabesp

A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) decidiram manter o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana da capital, na faixa 3, de alerta, durante o mês de setembro.

A medida foi adotada após o reservatório registrar uma queda de 3,7 pontos percentuais em seu volume útil ao longo de agosto, encolhendo de 36,7% (no fim de julho) para 33% (em 31 de agosto).

Como o manancial opera dentro do patamar entre 30% e 40% de sua capacidade, o sistema permanece enquadrado no estado de alerta. Com isso, a Sabesp tem autorização para retirar até 27 metros cúbicos de água por segundo (27 mil litros/s) durante setembro. Esse volume atende Campinas e os municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), além de suprir a região metropolitana de São Paulo.

Para conter o desgaste do reservatório, a agência federal prorrogou a liberação do bombeamento vindo da Usina Hidrelétrica Jaguari, situada na bacia do rio Paraíba do Sul. Com a autorização, o limite anual de água transferida para a represa Atibainha, que integra o Cantareira, subiu de 162 bilhões para até 268,28 bilhões de litros em 2026 — um acréscimo de 66%. O instrumento vigora até 31 de dezembro.

Vale notar que a tabela de faixas aplicada pela ANA difere das diretrizes do governo paulista. A agência nacional foca exclusivamente no Cantareira, por este ser alimentado por rios de domínio federal. Já a regulação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) supervisiona o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), que reúne também os complexos Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.

Na avaliação da Arsesp, o SIM permanece classificado no nível 2, embora o volume global venha oscilando perto do nível 3. A agência estadual também confirmou que a Sabesp continuará aplicando a redução temporária da pressão da água nas redes de distribuição durante oito horas da noite na Grande São Paulo, visando a conservação do sistema.

Apesar da situação delicada, a chegada de uma frente fria trouxe alívio provisório no início do mês. Apenas no primeiro dia de setembro, o Cantareira e o Alto Tietê, que correspondem a cerca de 80% do abastecimento metropolitano, registraram acumulados de 25,5 mm e 25,4 mm de chuva, respectivamente. Os números são significativos diante das médias históricas para todo o mês (78,8 mm e 57 mm).

Com as precipitações, ambos os mananciais tiveram um ganho de 0,1 ponto percentual, enquanto o SIM cresceu 0,3 ponto. Com a intensificação do fenômeno El Niño até o final do ano, a previsão aponta para ondas de calor, mas com a possibilidade de pancadas de chuva que ajudem na recuperação dos estoques dos reservatórios.