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Campinas anuncia retomada dos desfiles das escolas de samba para 2027

Após 11 anos, quatro escolas voltarão à Avenida Francisco Glicério; retomada é resultado de diálogo entre Secretaria de Cultura e Turismo e agremiações

Campinas anuncia retomada dos desfiles das escolas de samba para 2027
Apresentação da Estrela D'Alva, escola que completa 76 anos em 2026 e que realizará um desfile simbólico, com fantasia e samba-enredo Crédito: Firmino Piton/PMC

Campinas terá novamente desfiles de escolas de samba em 2027. A retomada foi definida em reunião entre a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a Liesca e representantes das quatro agremiações que participam da construção do projeto. O desfile está programado para 13 de março, na Avenida Francisco Glicério, no Centro da cidade.

A volta marca o retorno de uma tradição interrompida desde 2015, quando a cidade realizou seus últimos desfiles oficiais. Para a gestão municipal, a iniciativa representa mais do que uma festa: é uma forma de reconhecer o Carnaval como expressão da cultura popular, da memória coletiva e da economia criativa que envolve artistas, músicos, costureiras, artesãos e produtores.

O encontro contou com a presença da secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, do diretor de Cultura, Douglas Menezes, e do diretor de Eventos, Gabriel Rapassi. Participaram também representantes da Liesca e das escolas Leões da Vila Padre Anchieta, Rosa de Prata, Estrela D'Alva e Unidos do Shangai.

"Retomar os desfiles das escolas de samba é reconhecer a importância do Carnaval como uma das mais potentes manifestações da nossa cultura popular. O Carnaval movimenta artistas, músicos, artesãos, costureiras, produtores e uma ampla cadeia da economia criativa, além de preservar histórias e fortalecer os vínculos das comunidades com seus territórios", disse Alexandra Caprioli.

"Além da realização do desfile, também vamos mobilizar iniciativas de formação e preparo, contribuindo para o fortalecimento das escolas e dos profissionais envolvidos nessa importante manifestação cultural", completou a secretária.

União das escolas de samba

Presidentes das escolas e representante da Liga das Escolas de Samba de Campinas (Liesca) destacam que o retorno previsto para 2027 representa não apenas a volta dos desfiles, mas também o reconhecimento de uma história construída pelas comunidades, a valorização da cultura popular e a abertura de um novo ciclo para o samba na cidade.

Para o presidente da Unidos do Shangai, Messias Souza da Silva, o anúncio é resultado de anos de resistência e persistência das escolas. "Por muitos anos, as escolas de samba de Campinas mantiveram viva a esperança de voltar à avenida. Foram anos de luta, resistência e amor pelo Carnaval. Anunciar essa retomada mostra que valeu a pena não desistir. Pelo desfile das escolas de samba, a luta nunca acaba. Unidos sempre!", afirmou.

A presidente da Leões, Elizeth Campagnuci, ressalta que a retomada também representa a recuperação da credibilidade das escolas de samba de Campinas. Segundo ela, mesmo longe da avenida, as agremiações continuaram desenvolvendo projetos, movimentando suas comunidades e demonstrando sua capacidade de organização. "Voltar à Glicério é uma oportunidade de mostrar para a cidade, para o poder público e para possíveis parceiros que vale a pena acreditar e investir nas nossas escolas. Queremos que 2027 seja não apenas o ano da volta, mas o início de um projeto sólido", destacou.

Para Michel Moraes Furtado, presidente da Estrela D’Alva, o retorno dos desfiles oficiais representa o resgate de uma trajetória que faz parte da identidade das comunidades. "Mais do que voltar a desfilar, estamos resgatando uma história, preservando um legado e dando continuidade a uma trajetória que faz parte da identidade da nossa comunidade", afirmou. Segundo ele, o samba e os desfiles têm o poder de aproximar pessoas, fortalecer vínculos, promover inclusão e transformar vidas por meio da arte, da educação e da convivência.

O presidente da Rosa de Prata, Jorge Camargo, destaca o papel fundamental das comunidades na manutenção da tradição do samba. "A força de uma escola de samba vem da sua comunidade. É nela que estão nossas raízes, nossas histórias e as pessoas que mantêm o samba vivo de geração em geração. Voltar à avenida depois de tantos anos é uma conquista de cada componente, de cada família e de todos que continuaram acreditando", disse.

Já o presidente da Liesca, Edson Joia, ressalta que os desfiles reúnem cultura, inclusão, tradição e ancestralidade, além de movimentarem a economia e gerarem renda. Para ele, a união das quatro escolas que mantiveram o samba vivo em Campinas abre um novo momento para a cidade. "Hoje vivemos novos tempos, e a união das quatro escolas que seguraram a barra, que não deixaram o samba morrer literalmente em Campinas, abre um novo ciclo em nossa cidade", afirmou.

Mobilização para viabilizar o retorno

A retomada também está sendo construída com a mobilização das próprias escolas e com a busca de apoios para custear a realização do desfile. Entre as fontes previstas estão emendas de vereadores de Campinas e ações promovidas pelas próprias agremiações para arrecadação de recursos.

Uma das iniciativas é a venda de uma camiseta de apoio às escolas de samba, no valor de R$ 60. Quem quiser contribuir com a mobilização pode adquirir a camiseta pelo telefone (19) 98212-7164.

A iniciativa busca aproximar a população das escolas e, ao mesmo tempo, contribuir para a estrutura necessária à retomada dos desfiles.

Blocos continuam no Carnaval de Campinas

A retomada das escolas de samba não substitui o Carnaval dos blocos, que continuará fazendo parte da programação da cidade. A proposta é integrar as diferentes manifestações carnavalescas. As atividades dos blocos serão realizadas primeiro e, posteriormente, ocorrerão os desfiles das escolas de samba. Dessa forma, Campinas amplia a programação carnavalesca e valoriza diferentes formas de participação da população na festa.

“Retomar os desfiles das escolas de samba é muito mais do que voltar à Avenida Francisco Glicério. É resgatar memória, identidade e pertencimento. Depois de 11 anos, a união das escolas e de suas comunidades mostra a força e a resistência do samba em Campinas. Nosso compromisso, como Secretaria de Cultura e Turismo, é construir esse retorno com diálogo, planejamento e responsabilidade, fortalecendo as agremiações e valorizando toda a cadeia cultural e criativa envolvida. Em 2027, Campinas não apenas volta a desfilar: volta a celebrar uma parte fundamental da sua história e da sua cultura popular”, destaca o diretor de Cultura de Campinas, Douglas Menezes.