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Sarampo volta a acender alerta no Estado: quem precisa se vacinar em Campinas?

Com 23 casos confirmados no estado, autoridades reforçam a imunização. Em Campinas, não há registro da doença desde 2021, mas a recomendação é atualizar a carteira de vacinação

Sarampo volta a acender alerta no Estado: quem precisa se vacinar em Campinas?
Vacina tríplice viral (SCR) protege contra sarampo, caxumba e rubéola Crédito: Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas

O avanço do sarampo voltou a acender o sinal de alerta para a saúde pública no Brasil. No Estado de São Paulo, já são 23 casos confirmados em 2026, configurando um surto ativo concentrado na Capital (20 casos), São Bernardo do Campo (2 casos) e Guarulhos (1 caso). A maioria dos pacientes não tinha a vacinação completa e os registros têm relação com casos importados, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

Para conter a disseminação, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 85/2026, que recomendou a chamada "vacinação indiscriminada", aplicada em pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, exclusivamente para esses três municípios que concentram as confirmações.

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Em Campinas e região, a orientação oficial do Ministério da Saúde é diferente, não há indicação para vacinação indiscriminada. O procedimento correto é checar a caderneta e atualizar as doses apenas se houver pendências.

Campinas não registra casos de sarampo desde 2021 e mantém taxas de cobertura vacinal elevadas. Segundo Chaúla Vizelli, coordenadora do Programa de Imunização de Campinas, no ano passado a cidade atingiu 98,30% de cobertura para a primeira dose da vacina tríplice viral e 92,41% para a segunda dose.

Chaúla destaca que a imunização é a forma mais eficaz de prevenção. "Com as duas doses, a proteção chega a cerca de 97%, ou seja, quase todas as pessoas vacinadas ficam protegidas. Nos casos raros em que uma pessoa vacinada contrai a doença, ela costuma ser mais branda, com menor risco de complicações do que em quem não se vacinou", ressalta a coordenadora.

Por que a doença voltou a circular no mundo?

Especialistas apontam que a queda nas taxas de imunização, impulsionada pelo avanço do movimento antivacina e pela proliferação de fake news, permitiu que o vírus voltasse a circular com força globalmente. Um exemplo recente vem dos Estados Unidos, que enfrentam um dos maiores surtos da doença em sua história recente.

Como o sarampo continua sendo importado por viajantes, locais com grupos de pessoas desprotegidas tornam-se vulneráveis. Em publicação nas redes sociais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância de manter a população imunizada: "O sarampo é o vírus mais contagioso dos seres humanos que a gente conhece. Se a gente não tiver 95% da população com duas doses, 100%, corre o risco de acontecer no Brasil e de acontecer em países que entraram nesse movimento antivacina."

Por que o sarampo preocupa?

O sarampo preocupa a comunidade médica pelo alto poder de contágio e pela gravidade dos quadros clínicos. Segundo a enfermeira Carolina Bueno Somense, do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas, o vírus é transmitido por secreções respiratórias ao falar, espirrar ou tossir.

"O vírus pode ficar suspenso no ar, em ambientes fechados, por até duas horas após a saída da pessoa infectada", explica Carolina. Além disso, a transmissão ocorre antes dos sinais visíveis: o paciente transmite o vírus seis dias antes do surgimento das manchas vermelhas na pele (exantema). Um único infectado pode transmitir a doença para até 18 pessoas não imunes.

Segundo Carolina, o sarampo pode causar sequelas permanentes relacionadas, principalmente, às possíveis complicações desencadeadas na evolução da doença. "Por exemplo, quadros de encefalite, com danos permanentes (motores e/ou mentais) em cerca de 25% dos casos, além de surdez. As gestantes apresentam maior risco de hospitalização e complicações graves, como pneumonia e morte, em comparação com mulheres não grávidas. Além disso, podem surgir complicações na gravidez compatíveis com infecções graves, incluindo perda fetal, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e óbito neonatal. Por isso, recomenda-se a vacinação antes do período gestacional", explica a enfermeira.

Campanha Nacional de Multivacinação

Para manter a população protegida, a Campanha Nacional de Multivacinação de 2026 ocorre de 3 de agosto a 1º de setembro em todo o país, com foco em crianças e adolescentes menores de 15 anos (até 14 anos, 11 meses e 29 dias). O "Dia D" de mobilização nacional está marcado para o sábado, 22 de agosto.

Em Campinas, a Prefeitura realiza uma busca ativa focada em crianças de até 4 anos que tenham pendências no cadastro municipal. Para tomar a vacina, basta procurar um dos Centros de Saúde de Campinas levando um documento de identificação e a caderneta de vacinação. O atendimento é gratuito pelo SUS.

Quem precisa se vacinar contra o sarampo (Tríplice Viral - SCR)?

A vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A recomendação varia de acordo com a faixa etária e o histórico: crianças (rotina): 1ª dose aos 12 meses e 2ª dose aos 15 meses; de 5 a 29 anos: 2 doses (com intervalo mínimo de 30 dias entre elas); de 30 a 59 anos: 1 dose.
Idosos (60 anos ou mais): 1 dose comprovada na carteirinha; trabalhadores da saúde: 2 doses, independentemente da idade.

Observação: Se a sua carteira de vacinação já contém os registros recomendados para a sua idade, não há necessidade de dose adicional.

Para consultar os endereços e horários de funcionamento das salas de vacina em Campinas, acesse o portal oficial: vacina.campinas.sp.gov.br.