Vigilância Sanitária

Interdições de estabelecimentos de odontologia cresceram 280% em Campinas

Fiscalização aponta avanço das irregularidades e detalha como pacientes podem se proteger antes do atendimento

Interdições de estabelecimentos de odontologia cresceram 280% em Campinas
Em 2026, só nos seis primeiros meses, já são 44, marca que supera o total de todo o ano anterior Crédito: Carlos Bassan

O número de estabelecimentos de odontologia interditados pela Vigilância Sanitária de Campinas cresceu 280% entre 2024 e 2025, passando de 10 para 38. Em 2026, já são 44 interdições apenas nos seis primeiros meses, o que supera o total registrado em todo o ano anterior.

Os dados foram divulgados no Dia Nacional da Vigilância Sanitária e mostram um cenário de fiscalização mais intensa na cidade. No mesmo período, o órgão também ampliou o volume de ações em outros segmentos ligados à saúde, com inspeções, autuações e interdições em farmácias, clínicas de estética e instituições de longa permanência para idosos.

O que a fiscalização encontra nos consultórios

Segundo a Vigilância Sanitária, as irregularidades mais frequentes em consultórios odontológicos incluem ausência de licença sanitária, estrutura física inadequada, esterilização de materiais fora do padrão, falta de responsável técnico e descarte incorreto de resíduos. Também foram identificados casos de estabelecimentos sem autorização para funcionar e de exercício ilegal da profissão, principalmente na área de estética.

Essas falhas representam risco direto ao paciente, com possibilidade de contaminação, transmissão de doenças, atendimento inadequado e uso de produtos vencidos ou mal armazenados. A equipe responsável pela área odontológica é formada por cinco dentistas.

Como funciona a atuação da Vigilância

As inspeções têm caráter orientativo, mas podem resultar em sanções quando são encontrados riscos à saúde. Se a situação for considerada grave, a interdição pode ocorrer imediatamente, com ou sem multa. Nos casos menos graves, o responsável recebe prazo para corrigir os problemas antes da aplicação de penalidades.

A interdição não é necessariamente definitiva. Depois de adequar o serviço às exigências, o estabelecimento pode ser liberado novamente. Em 2025, 67 locais foram desinterditados; em 2026, esse número já chega a 57, embora parte dos casos ainda esteja em análise ou siga interditada.

Como o paciente pode se proteger

Antes de realizar qualquer procedimento odontológico, o paciente deve verificar se o consultório exibe a licença sanitária em local visível, observar as condições de higiene do ambiente e do profissional, conferir a validade e a conservação dos produtos utilizados e esclarecer todas as dúvidas antes do atendimento.

Também é possível consultar se o estabelecimento possui licença sanitária válida no site da Vigilância Sanitária de Campinas. Denúncias sobre irregularidades podem ser feitas à Prefeitura pelo telefone 156 ou pelo WhatsApp (19) 2116-0156. Para dúvidas e orientações, o contato com a Vigilância é pelo telefone (19) 2515-7134 ou pelo e-mail [email protected].

Ações educativas e valorização dos servidores

No Dia Nacional da Vigilância Sanitária, servidores da área participaram de atividades de valorização e conscientização sobre o papel do sistema no controle de produtos e processos de trabalho de interesse da saúde. Em Campinas, a equipe também assistiu a uma palestra sobre comunicação não violenta, reforçando a importância do trabalho técnico e da relação com profissionais e população.

Além da fiscalização, o setor realiza ações educativas para orientar entidades e profissionais sobre as normas de boas práticas definidas pela Anvisa. Uma das atividades mais recentes ocorreu em junho, na Associação dos Cirurgiões-Dentistas de Campinas, com foco em esclarecer dúvidas sobre regras de funcionamento e prevenção de riscos.