A vereadora Guida Calixto (PT-SP) lamentou a rejeição do pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) para investigar a acusação de agressão contra uma mulher envolvendo o vereador Arnaldo Salvetti (MDB-SP) e afirmou que a Câmara Municipal deixou de analisar um caso que, na avaliação dela, apresentava elementos suficientes para apuração.
"O arquivamento é um grave erro e uma demonstração de que, para a base do governo Dário Saadi (Republicanos-SP), a proteção de seus aliados políticos parece falar mais alto do que o compromisso com a apuração dos fatos e com o enfrentamento à violência contra as mulheres, ainda mais em tempos de avanço da extrema direita e da misoginia".
Ainda segundo a vereadora, "quando a Câmara impede que uma denúncia seja sequer investigada, não está fazendo justiça nem defendendo o devido processo: está fechando as portas para a verdade. Violência contra a mulher não pode ser tratada como questão menor, muito menos ser varrida para debaixo do tapete por acordos e interesses da base governista. A sociedade merece respostas, e a Câmara Municipal deveria ter garantido a investigação, não impedido que ela acontecesse".
A Câmara rejeitou o requerimento de instauração da comissão por 17 votos contrários e oito favoráveis. Com a decisão do plenário, a representação foi arquivada e não haverá investigação no âmbito do Legislativo.
Votaram pela abertura da CP os vereadores Mariana Conti (PSol-SP), Fernanda Souto (PSol-SP), Paolla Miguel (PT-SP), Wagner Romão (PT-SP), Evelyn do PT (PT-SP), que substituiu Guida Calixto na votação, Gustavo Petta (PCdoB-SP) e Débora Palermo (PL-SP). Calixto não pode votar porque foi a denunciante.
Repercussão
O analista político Paulo Gaspar, ex-vereador de Campinas, também criticou o resultado. "Essas comissões processantes infelizmente não funcionam nem em Campinas e nem no Brasil porque é um jogo com cartas marcadas. A Câmara de Vereadores é um puxadinho da Prefeitura e o corporativismo entre o Legislativo e o Executivo é quem dá as cartas", afirma.
Segundo ele, "ninguém larga a mão de ninguém" e os vereadores "defendem os seus interesses pessoais acima dos interesses da população e fazem o diabo pra se manterem em seus cargos".
Gaspar foi o vereador que mais economizou na história da cidade, poupando R$ 1,1 milhão dos cofres públicos, recusando recursos disponíveis para regalias do gabinete.
Relembre o caso
A representação apontava possíveis violações ao decoro parlamentar, tendo como fundamento acusações de violência doméstica envolvendo o vereador. Na avaliação da autora do pedido, os fatos justificavam a abertura de uma investigação própria do Legislativo, independentemente do andamento da esfera judicial.
Durante a análise do requerimento, a defesa de Salvetti sustentou que o processo terminou com absolvição e argumentou que não havia respaldo jurídico para a abertura da CP.
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