Campinas

MP abre inquérito para apurar denúncia de racismo contra aluno na PUC‑Campinas

MP abre inquérito para apurar denúncia de racismo contra aluno na PUC‑Campinas
MP abre inquérito civil para investigar denúncia de racismo contra aluno dentro da PUC-Campinas Crédito: Reprodução/PUC-Campinas

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar uma denúncia de discriminação racial contra o aluno Gabriel Henrique Domiciano dentro da PUC-Campinas. A investigação, instaurada pela promotora de Justiça Cristiane Corrêa de Souza Hillal, analisa a conduta da instituição diante da abordagem sofrida pelo ex-estudante Gabriel Henrique Domiciano.

O episódio ocorreu em maio de 2025, quando Gabriel, então aluno de Relações Públicas, relatou ter sido seguido e abordado por seguranças do campus, que questionaram se ele era matriculado na universidade. Gabriel se desligou da PUC-Campinas no início de 2026, e o caso ganhou repercussão após ser divulgado nas redes sociais.

A abertura do inquérito civil ocorreu após o vencimento do prazo do procedimento preparatório inicial. Segundo o MP-SP, foram identificadas diligências pendentes para o esclarecimento total dos fatos. Além disso, a promotoria ressaltou que a apuração ultrapassa o dano individual, visto que episódios de discriminação racial no ambiente acadêmico afetam toda a coletividade e exigem a avaliação das políticas institucionais de prevenção e combate ao racismo.

Resposta da universidade é considerada parcialmente suficiente

Uma análise técnica do Centro de Referência em Direitos Humanos para Prevenção e Combate ao Racismo e à Discriminação Religiosa integrou a portaria do MP. O órgão reconheceu que a universidade não permaneceu inerte, tendo instaurado um procedimento administrativo disciplinar e adotado medidas internas, mas concluiu que a resposta da instituição foi apenas parcialmente suficiente.

O parecer apontou lacunas na conduta da PUC-Campinas, entre ela falta de acolhimento - ausência de reconhecimento institucional sobre os impactos psicológicos e sociais sofridos pelo aluno; opacidade - baixa transparência quanto aos resultados e desdobramentos da apuração interna; reparação ausente - inexistência de informações detalhadas sobre eventuais medidas reparatórias à vítima; contradição institucional - incoerência em afirmar formalmente a inexistência de irregularidades e, simultaneamente, aplicar sanções disciplinares aos envolvidos.

Próximos passos e manifestações

O Ministério Público concedeu um prazo de 20 dias para que a PUC-Campinas apresente novos esclarecimentos e responda formalmente aos pontos levantados pelo Centro de Referência e pela vítima. Em nota, a universidade informou que foi notificada e cumprirá os prazos estipulados no documento.

Para Gabriel Domiciano, a atuação do MP é uma etapa decisiva para gerar transformações estruturais no ambiente universitário.

"Mais do que uma investigação sobre o que aconteceu comigo, espero que esse caso ajude a fortalecer o combate ao racismo dentro das universidades. Nenhum estudante deveria ter o direito de estudar abalado pelo medo, pelo constrangimento ou pela sensação de não pertencer àquele espaço. Espero que esse episódio contribua para mudanças concretas e para que outras pessoas não precisem enfrentar o que eu enfrentei", declarou o ex-aluno ao portal Alma Preta.