Em evento que reuniu milhares de pessoas em Campinas, o PT oficializou neste sábado (25) a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao Governo de São Paulo. A convenção, realizada na Arena Concórdia, no distrito de Sousas, contou com as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin, além do candidato a vice na chapa de Haddad, o ex-ministro Márcio França (PSB), e das candidatas ao Senado por São Paulo, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
O candidato criticou duramente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. Sobre a população em situação de rua, Haddad disse: “Tarcísio que diz que acabou com a cracolândia… Aumentou 82%, segundo a fundação Seade, que é a mais séria fundação que faz o censo da população em situação de rua. Como alguém bate no peito pra falar da população de rua com esses indicadores?”.
“O que nós estamos disputando? Disputando o que com o Tarcísio? Dar uma medalha pro Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro pra população da Argentina comer? O que nós estamos disputando?”, questionou.
“As privatizações foram feitas a toque de caixa. Tanto a Sabesp quanto o metrô, CPTM, entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. A água tá faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta da água tá subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu, que, com a privatização, a conta de água iria cair”, disse o ex-ministro.
“É uma vergonha atrás da outra. Onde você olha pra esse governo você vê problemas. A secretaria da fazenda está totalmente contaminada por corrupção. A todo instante são matérias de jornal dando conta do Ministério Público mandando afastar auditores fiscais e denunciando empresas que corromperam a máquina pública, sem que o governador emita uma única opinião sobre o que está acontecendo e anuncie uma única providência sobre o saneamento do estado de São Paulo”, completou.
Segundo Haddad, o estado cresce abaixo da média nacional. “Saiu um dado ontem nos jornais dando conta de quanto o estado de São Paulo cresceu nos últimos doze meses. O estado de São Paulo cresceu 0,4%, contra 2% da média nacional, contra 5% do estado do Rio. Não é possível manter esse estado altivo, com esperança de um futuro melhor, com essa taxa de crescimento”, afirmou.
Sobre a educação, Haddad criticou o tratamento que está sendo dado ao magistério paulista. “A média de alfabetização das crianças na idade certa está abaixo da média nacional, o ensino médio integral em São Paulo está abaixo da média nacional, a qualidade da educação básica está caindo posições a cada ciclo de avaliação e perdendo a corrida da qualidade para estados do Nordeste que têm menos da metade de recursos por aluno que tem São Paulo”.
Ao falar da Segurança Pública, Haddad disse que 20% de todos os celulares roubados no país são roubados na capital paulista. “Por quê? Você lê nos jornais que o comando da Polícia Militar, depois da nomeação do comandante-geral da PM pelo Tarcísio, está contaminado pelo crime organizado, está mancomunado com o crime organizado. E vem cobrar do presidente Lula providências que ele [Tarcísio] não toma sobre o estado. Nós vamos ter que dizer um sonoro 'não' para esse governo”, afirmou.
“O interior abandonado, prefeitos que não são recebidos, uma crise hídrica anunciada, sem que o governador tome as providências para garantir segurança hídrica no nosso estado. Tanto quando falta água (e faltou água em 2024) quanto quando tem inundações, como aconteceu agora, em Ribeirão Preto, nesta semana, sem que o governador tenha se manifestado a respeito, inclusive cortando verba de combate a enchentes no nosso estado”, disse ainda o candidato.
“Nós não estamos numa situação normal. O feminicídio caiu 2,5% no Brasil e aumentou 10% em São Paulo. E tudo passa em brancas nuvens, ninguém cobra providência, ninguém cobra satisfação de um governo que está a dois meses da eleição. Nosso papel é liderar uma campanha cívica para recuperar e restituir São Paulo para os paulistas. Não é possível que esse estado fique abandonado dessa maneira. Esse estado que já foi vitrine de políticas públicas, as mais importantes do país, hoje fica ao deus-dará”, concluiu o candidato ao governo do estado.
Alckmin ataca privatizações e exalta ‘senso de justiça’ de Haddad
Governador de São Paulo em quatro mandatos, o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), também subiu o tom contra o governo Tarcísio. Ele iniciou seu discurso com um agradecimento: "Pouca gente sabe, mas o responsável por eu estar junto com o presidente Lula foi o Fernando Haddad, com seu espírito público, seu senso de justiça e sua capacidade de unir."
"E juntos, presidente [Lula], salvamos a democracia no Brasil. E estamos juntos de novo para o Brasil. Cresceu o emprego, cresceu a renda, cresceu a educação, cresceu a saúde, cresceu a proteção ao meio ambiente e cresceu a democracia", afirmou Alckmin.
Ao se dirigir diretamente ao candidato ao governo paulista, o vice-presidente mirou nas privatizações conduzidas pela atual gestão.
“Haddad, nós vamos ganhar a eleição porque São Paulo não quer a prepotência e a arrogância daquelas marteladas. São Paulo é da generosidade e da fraternidade. E essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do estado”, disse o ex-governador, ao se referir à privatização da Sabesp. “Um concorrente vendido abaixo do preço de valor. Isso precisa ser investigado. Como é que pode uma das melhores empresas do mundo, com 28 milhões de usuários, ter um único concorrente?”, questionou.
"O Haddad é da educação. Nós vamos ter um professor para recuperar a educação. Criador do Prouni, dos Institutos Federais, o prefeito de São Paulo. Aliás, o povo de São Paulo, da capital, reconheceu, Haddad, o seu trabalho, porque na última eleição você ganhou na capital de São Paulo e agora vamos ganhar no interior, para a gente melhorar o estado", concluiu o vice-presidente.
Meio ambiente, economia e diversidade na chapa ao Senado
Candidata ao Senado na chapa encabeçada pelo PT, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) direcionou a primeira parte de seu discurso ao presidente Lula. "Muito obrigada, presidente Lula. O senhor me chamou pra gente reconstruir as políticas ambientais que tinham sido destruídas no governo Bolsonaro. Foi graças ao seu compromisso de desmatamento zero que nós já reduzimos o desmatamento: 50% na Amazônia e 32% no Brasil. Foi graças ao seu compromisso que nós reduzimos os incêndios: 75% na Amazônia, 88% no Pantanal, mais de 30% no Cerrado", enumerou Marina.
A candidata atrelou a preservação ambiental aos avanços econômicos e diplomáticos, citando a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. "Um dos argumentos que era muito usado é o de que não se podia fechar o acordo porque a agricultura brasileira era feita destruindo a Amazônia. Quando o senhor [Lula] assume, o desmatamento cai e o agronegócio e a agricultura familiar crescem. Nós provamos que é possível que meio ambiente e desenvolvimento caminharem juntos, gerar emprego, gerar renda, melhorar a vida das pessoas", completou.
"Eu estou aqui em legítima defesa de tudo que já fizemos, em legítima defesa do que tivemos que reconstruir, em legítima defesa do que precisamos fazer. Não é possível ter um presidente da República que articula, que trama contra o Brasil, que vai atrás de taxação para destruir a indústria do calçado, para prejudicar o etanol, os biocombustíveis, que prejudica a indústria brasileira. Presidente Lula, Alckmin, essas pessoas não estão fazendo mal a uma ideologia, estão fazendo mal a um povo, a uma nação", criticou.
"É por isso que eu e Simone estamos aqui para mostrar que é possível, mesmo pensando diferente, mesmo sendo progressista ou conservador, é possível dialogar na diferença. Uma mulher preta e uma mulher branca; uma mulher nascida na floresta, ambientalista, mas que entende que é preciso um novo ciclo de prosperidade para o Brasil; e uma mulher do agro; uma mulher evangélica e uma mulher católica. É assim que a gente constrói um país, uma nação".
Tebet aponta "desonestidade intelectual" e ataca privatizações
A também candidata ao Senado, ex-ministra Simone Tebet (PSB), adotou um tom incisivo contra a atual gestão paulista.
“Haddad, nós vamos enfrentar o governador de plantão que mente, que tem desonestidade intelectual, que faz propaganda enganosa com a verdade dos números e dos fatos”, disparou.
Tebet endossou as críticas sobre a gestão da segurança pública e os serviços concedidos à iniciativa privada. “Enquanto ele [Tarcísio] fala que a polícia garante segurança pública e paz para a população paulista, o que nós vemos hoje é cada vez mais insegurança, com furtos e roubos de celulares e com um aumento massacrante e vergonhoso da violência contra a mulher e do feminicídio em São Paulo, porque no Brasil diminuiu”, contrastou a ex-ministra.
A candidata também usou exemplos recentes para questionar o modelo de concessões do governo estadual. “Enquanto ele fala que os serviços públicos são mais eficientes, faz privatizações malfeitas que põem em risco a população. Olha a Sabesp hoje entregando água barrenta, quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo, colocando em risco a vida das pessoas com incêndio em vagão, o que nunca havia acontecido no passado”, acrescentou.
Para encerrar, Tebet destacou a pauta da educação. “Eu como professora, você [Marina] como professora, mas especialmente o professor Haddad, nós vamos responder ao governador valorizando os professores, melhorando a qualidade de vida dos professores e cuidando da educação como prioridade absoluta”.
Lula aposta em biografias, alerta sobre IA e elogia capacidade de Haddad
Para encerrar o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu sua fala anunciando o calendário da campanha nacional. Ele informou que a convenção para o lançamento de sua candidatura à Presidência será realizada no próximo domingo (2), em São Paulo, e que o grande ato de largada oficial ocorrerá no dia 16, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, berço de sua trajetória política.
“Eu vim aqui hoje para falar do Haddad, do Márcio, da Marina e da Simone. (Do Alckmin eu vou falar domingo). Porque essa talvez seja a primeira eleição no Brasil em que os adversários, por não ter tamanho, por não ter biografia, por não ter proposta, vão fazer uso da inteligência artificial para tentar ludibriar a boa-fé do povo de São Paulo. É importante repetir isso. Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais com inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram, para inventar coisas que eles não são e para fazer promessas que eles jamais irão cumprir. Porque a base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira. E a mentira só faz e só conta quem não tem biografia”, afirmou Lula.
“São quatro pessoas, quatro pessoas que têm história, quatro pessoas que têm passado e não se envergonham do passado e querem que as pessoas conheçam o passado deles. Porque é conhecendo o passado deles que a gente vai ter certeza de que o que eles vão assumir de compromisso com vocês, eles vão cumprir, governando São Paulo e as duas meninas no Senado representando o povo de São Paulo”, completou o presidente.
De acordo com o presidente, é muito importante ter em conta o significado da eleição de Haddad para o Estado de São Paulo. “O Haddad é uma pessoa exemplar. Eu conheço poucas pessoas com o grau de lealdade, com o companheirismo e com a capacidade de trabalho que tem o companheiro Haddad. E é por isso que eu acho que São Paulo tem uma chance histórica: colocar o melhor ministro da Educação que esse país já teve para ser governador de São Paulo, colocar o melhor ministro da Economia que nós já tivemos”, disse o presidente.
“É importante lembrar que foi o Haddad no comando da economia que a gente conseguiu a menor inflação acumulada em quatro anos. É com o Haddad na economia que a gente conseguiu o menor desemprego da história do Brasil. É com o Haddad na economia que a gente conseguiu bater recorde de exportação. É com o Haddad na economia que a gente conseguiu aumentar o salário mínimo acima da inflação. É com o Haddad na economia que a gente conseguiu fazer com que os trabalhadores tivessem a maior renda acumulada da história desse país. É com o Haddad na economia que o Brasil voltou a crescer acima de 3%. E é importante lembrar que o Brasil só cresceu acima de 3% quando eu deixei a presidência em 2010, depois cresceu três no primeiro ano da Dilma e de lá para cá nós nunca conseguimos crescer sequer 2%. E nos três anos que o Haddad esteve à frente da economia, a gente cresceu acima de 3%, uma das melhores médias mundiais”, afirmou Lula.
“A gente não conseguiu fazer tudo o que a gente queria, mas o Haddad deu uma demonstração de que, com seriedade, com responsabilidade, com capacidade de negociação, ele conseguiu fazer uma coisa que era tentada há mais de 40 anos: fazer uma reforma tributária fazendo com que o rico pagasse mesmo o imposto de renda nesse país”, disse o presidente.
Por fim, Lula destacou o peso de São Paulo: “São Paulo é o estado mais rico da federação. São Paulo é o estado mais industrializado da federação. São Paulo é o estado que tem mais escola no país. São Paulo é o estado que tem a melhor malha rodoviária do país. São Paulo é muito grande, e São Paulo na mão do Haddad vai ser muito maior, muito maior e mais democrático e para atender aos interesses do povo brasileiro. E eu gostaria que vocês tivessem a biografia do Haddad para comprometer os eleitores de São Paulo, para poder comparar a biografia do Haddad — o que ele fez pelo Brasil, o que ele fez por São Paulo — com o que os outros que vão disputar com ele fizeram por esse país. Eu tenho certeza de que a gente pode ganhar de 10 a 0 deles, porque a biografia do Haddad é exemplar, e dar a ele a segurança de que o eleitor votando, São Paulo voltará a ser o estado respeitado e o estado mais generoso com os outros estados da federação. Por isso, é a primeira vez que a gente pode utilizar a biografia do candidato, a biografia, o histórico, a vida dele, a vida da família dele, a formação dele e por onde ele passou, para a gente perceber que São Paulo tem a chance de escolher o melhor homem que São Paulo pode escolher para ser governador do estado de São Paulo”.
“É importante vocês carregarem, carregarem no bolso a biografia dos nossos candidatos, a biografia para a gente poder discutir com os eleitores, para a gente poder convencer os eleitores, porque nós estamos na era em que o argumento perdeu importância. O que vale é a mentira contada e a mentira lida em poucos segundos. E quem tem biografia não pode ser vendido em pouco segundo. É preciso contar a história para o povo saber”, concluiu o presidente Lula.
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