Correio da Manhã
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Campinas tem alta de 56% nas denúncias de racismo

Campinas tem alta de 56% nas denúncias de racismo
Números de Campinas acompanham o crescimento no estado de SP Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

As denúncias de racismo em Campinas cresceram 56% de janeiro a junho deste ano, segundo o Disque 100. Dados do canal apontam que foram 16 notificações entre janeiro e junho de 2025 contra 25 no mesmo período em 2026.

O movimento segue o padrão do estado de São Paulo, onde o número de notificações também subiu: foram 646 avisos de janeiro a junho de 2026, ante 482 no mesmo espaço de tempo de 2025, o que representa expansão de 34%.

Na segunda-feira (20), dois integrantes da comissão de treino da equipe sub-20 do Guarani sofreram agressões por palavras de teor discriminatório em disputa dos Jogos Regionais, na cidade de Itatiba.

O grupo atuava em nome de Campinas, quando um torcedor do time da casa proferiu os ataques aos profissionais. Um boletim de ocorrência foi registrado para apuração dos fatos, mas sem identificação do autor da conduta.

De acordo com a Comissão da Verdade sobre a Escravidão de Negros no Brasil da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a norma de 2023 que igualou a injúria de raça ao racismo estimula a procura pelos canais de queixa.

A mudança na legislação possibilitou a aplicação de punição ao agente do ato, o que gera confiança das pessoas no trabalho da Justiça e na consolidação de sanção para quem comete a infração.

A injúria ocorre quando o ataque se direciona a uma pessoa sem atingir o grupo. Já o crime de racismo se estabelece quando a conduta se volta contra a etnia no conjunto. A legislação trata cada caso de uma maneira. Na injúria, o processo depende da vontade da vítima, que dispõe de prazo de seis meses para apresentar representação à autoridade. No racismo, a apuração ocorre por ação do Ministério Público sem dependência da decisão do indivíduo.

Como denunciar

O Disque 100 integra a estrutura do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para acolher denúncias de desrespeito a direitos de populações em vulnerabilidade. O atendimento funciona 24 horas do dia, em todos os dias da semana, sem cobrança de taxa na ligação efetuada por meio de discagem do número 100 em aparelhos de linha ou celulares.