O bolso do morador de Campinas sentiu uma pressão maior no mês de junho do que o de quem vive nas capitais da Região Sudeste. Segundo levantamento divulgado pelo Observatório PUC-Campinas, o valor da cesta básica na cidade registrou alta de 1,91%, atingindo R$ 902,12 — índice superior aos registrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte.
No cenário nacional, embora 18 das 28 capitais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) tenham registrado encarecimento do conjunto de alimentos essenciais em junho, o avanço campineiro destacou-se no recorte regional.
O custo da cesta passou a equivaler a 55,7% do salário-mínimo vigente. O “salário-mínimo necessário” — o suficiente para a aquisição de 3 cestas — subiu para R$ 2.706,36.
O principal responsável pela alta mensal foi o feijão (+13,93%), que segue sob pressão de oferta. A banana (+4,82%) e o açúcar (+3,24%) também contribuíram para o avanço. No sentido contrário, o arroz (2,15%) e a farinha de trigo (1,41%) registraram as quedas mais expressivas do mês.
No acumulado do ano, o comportamento dos produtos revela pressões estruturais mais profundas: batata (+95,36%) e tomate (+87,07%) lideram as altas, impulsionados por restrições de oferta que se prolongam desde o início de 2026, seguidos por feijão (+42,01%) e leite (+28,94%). No campo oposto, banana (14,52%), açúcar (9,71%) e café (10,36%) acumulam quedas relevantes no período.
Em 2026, até junho, Campinas registra alta de 15,24% na cesta — abaixo de Rio de Janeiro (16,27%) e Vitória (16,06%), mas acima de Belo Horizonte (14,30%) e São Paulo (14,13%). No contexto nacional, os maiores acumulados seguem concentrados no Norte e Nordeste, com Fortaleza liderando (21,48%), seguida por Cuiabá (18,53%) e Manaus (18,13%).
No acumulado em 12 meses, a variação de Campinas é de 11,35%, refletindo a aceleração do custo da cesta ao longo do primeiro semestre de 2026 — tendência que se distancia do comportamento mais benigno observado em fins de 2025.
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