Correio da Manhã
Campinas

A renovação começa na disputa

A renovação começa na disputa

A aproximação das eleições de outubro já altera o ritmo da política em Campinas. Antes mesmo do início oficial das convenções partidárias, 13 dos 33 vereadores da Câmara Municipal aparecem como potenciais candidatos a vagas na Assembleia Legislativa de SP ou na Câmara dos Deputados. O número chama a atenção: representa quase 40% da composição do Legislativo campineiro.

O cenário desperta diferentes interpretações. Há quem enxergue nas candidaturas um sinal de que o mandato municipal estaria sendo utilizado como trampolim para voos mais altos. Outros, porém, observam que a busca por novos espaços faz parte da dinâmica e da trajetória política de quem pretende ampliar sua atuação.

A verdade provavelmente está entre esses dois extremos. A política é construída por ciclos. Vereadores que conquistam visibilidade local tendem, em algum momento, a disputar cargos estaduais ou federais. Isso não é uma novidade. Ao mesmo tempo, a decisão de buscar um novo mandato não pode significar o abandono das responsabilidades com o eleitor.

Até o encerramento do atual mandato, a população continua esperando que projetos sejam discutidos, fiscalizações realizadas e que demandas da cidade recebam a mesma atenção de sempre. Saúde, mobilidade, segurança, habitação e desenvolvimento econômico são desafios cotidianos que não entram em pausa por causa do calendário eleitoral.

Também é importante lembrar que o quadro ainda pode sofrer alterações. O período das convenções partidárias costuma redefinir estratégias, alianças e candidaturas. Alguns nomes podem desistir, enquanto outros ainda poderão surgir.

Independentemente da configuração final, a movimentação revela um momento de renovação e reorganização das forças políticas. A eleição de outubro não decidirá apenas a representação paulista na Alesp ou e na Câmara Federal. Ela também poderá redesenhar, de forma indireta, o futuro da própria Câmara de Campinas, seja pela projeção dos atuais vereadores, seja pela abertura de espaço para surgimento de novos lideres.

Mais do que acompanhar quem sobe um degrau na carreira política, cabe ao eleitor observar como esses parlamentares conduzem seus mandatos até o último dia. O desejo de representar um universo maior de cidadãos deve ser acompanhado pela demonstração de compromisso com aqueles que confiaram seus votos. Esse talvez seja o principal critério de avaliar quem merece avançar para novos desafios.