A Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI), mantenedora da PUC-Campinas e do Hospital PUC-Campinas, oficializou nesta sexta-feira, 17 de julho, a incorporação do Hospital e Maternidade de Campinas. A cerimônia marcou a conclusão de um processo iniciado há três anos, quando o prefeito Dário Saadi procurou o arcebispo metropolitano de Campinas, Dom João Inácio Müller, para que a instituição avaliasse assumir a unidade, que enfrentava uma grave crise financeira.
A etapa final da incorporação foi concluída em 29 de junho de 2026, com a transferência do CNPJ da Maternidade para a SCEI, formalizando sua integração à estrutura da PUC-Campinas. A mudança encerra um planejamento iniciado em maio de 2024, quando a Sociedade assumiu a gestão da unidade durante seu processo de recuperação judicial. Após auditorias, avaliações patrimoniais e a homologação definitiva do plano judicial, a Maternidade passa a funcionar oficialmente como uma unidade mantida pela SCEI.
Segundo a instituição, a transição mobilizou 15 grupos de trabalho e cerca de 50 profissionais da SCEI, do Hospital PUC-Campinas e da Maternidade de Campinas, garantindo que a incorporação ocorresse de forma planejada, segura e sem interrupção dos atendimentos à população.
Durante a cerimônia, o prefeito Dário Saadi destacou a importância da parceria. "Há três anos, a Maternidade de Campinas passava por uma situação extremamente complexa. Procurei pessoalmente Dom João Inácio Müller e pedi que a PUC avaliasse incorporar a unidade. A PUC assumiu esse compromisso e hoje o consolida oficialmente", afirmou.
Para Dom João Inácio Müller, presidente da SCEI, a incorporação reforça a missão da instituição. "Este é um momento de profunda gratidão e responsabilidade para a Sociedade Campineira de Educação e Instrução. A incorporação da Maternidade de Campinas reafirma nossa missão, como instituição da Igreja Católica, de evangelizar por meio da educação e da saúde, promovendo a vida, a dignidade da pessoa humana e o cuidado com os mais vulneráveis", declarou.
Com a incorporação, a SCEI amplia sua atuação na área da saúde, fortalecendo a integração entre assistência, ensino, pesquisa e extensão universitária, preservando os serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirmando o compromisso com uma assistência humanizada e de excelência.
O arcebispo retribuiu o gesto de Dário. "Queremos nos manter de pé e fazer o possível para que o Hospital e Maternidade de Campinas possa se orgulhar da sua existência de 112 anos, e para que o prefeito tenha o coração sereno, tranquilo e feliz de ter nos procurado", afirmou.
Dimensão da Maternidade de Campinas
O superintendente do hospital, Aguinaldo Pereira Catanoce, apresentou a dimensão da unidade para a cidade. Segundo ele, entre 30% e 40% dos campineiros nasceram na Maternidade. Do total de 697 partos realizados por mês em Campinas, 402 são na unidade.
Com a incorporação, a Maternidade passa a atuar também como hospital-escola. Para o reitor da PUC-Campinas, Victor de Barros Deantoni, a cidade ganha mais um espaço de formação de profissionais que integrarão a comunidade médica de Campinas.
O vice-presidente da SCEI, Ricardo Pannain, também participou da cerimônia. O presidente da Câmara Municipal, Luís Carlos Rossini, representou o Legislativo de Campinas.
Investimentos e nova fase
Desde que assumiu a gestão, a SCEI já aplicou R$ 17 milhões em melhorias. Entre elas estão a nova Unidade de Internação Clínica Cirúrgica e a nova UTI Adulto. Até 2027, estão previstos novos investimentos em infraestrutura, tecnologia e qualidade da assistência.
Historicamente voltado à atenção materno-infantil, o hospital ampliou o atendimento também ao público masculino e mantém especialidades como ginecologia, obstetrícia, urologia, oncologia, ortopedia, cirurgia geral e cirurgia plástica. O foco da nova fase está na sustentabilidade financeira de longo prazo e no fortalecimento do atendimento ao SUS e à saúde suplementar.
Sobre o hospital
Com 112 anos de atuação, o Hospital e Maternidade de Campinas é referência na atenção materno-infantil. A unidade conta com 256 leitos, sendo 118 destinados ao SUS e 138 a convênios e atendimento particular. O pronto atendimento registra média de 4,5 mil atendimentos por mês, dos quais 3 mil pelo SUS, com 90% em ginecologia e obstetrícia.
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